CNBB mantém consulta sobre dívida
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quinta-feira, 24 de agosto de 2000
Carolina Vila-Nova Agência Folha De Brasília 
Dados sobre a evolução da dívida externa brasileira apresentados pelo governo não convenceram a cúpula da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que mantém a realização de plebiscito, no início de setembro, para questionar o pagamento da dívida externa pelo governo brasileiro.
Os dados foram apresentados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso durante encontro na última terça-feira no Palácio do Planalto, em que estiveram presentes, à convite, o presidente da CNBB, D. Jayme Chemello, e o vice-presidente da entidade dom Marcelo Carvalheira, além do ministro da Fazenda Pedro Malan.
D. Jayme afirmou não saber qual era intenção do governo com a conversa. Mas avaliou que, apesar de o plebiscito não ter sido posto em questão durante o encontro, o governo procurou convencer a CNBB de que a coisa não era tão ruim assim. Não é uma questão de me convencer, é preciso que toda a nação se convença, disse D. Jayme.
De acordo com os dados do governo, o setor público estaria reduzindo cada vez mais sua participação na dívida externa nacional. A dívida privada, estimada entre US$ 100 e US$ 120 bilhões, teria crescido ou se mantido em alta nos últimos anos. Por outro lado, a dívida pública externa teria diminuído no mesmo período, chegando à casa dos US$ 80 bilhões em fins de 99.
De acordo com D. Jayme, os números sobre a dívida externa que circulam pelo País são muito desencontrados.O que queremos com o plebiscito é criar uma consciência nacional, uma transparência nesse processo, para saber, inclusive, quanto é nossa dívida, completou.
D. Jayme quis deixar claro que o plebiscito não pretende o calote da dívida, mas que seja realizada, conforme previsto na Constituição, uma auditoria prévia aos pagamentos. Você vai pagar sua dívida no banco? Vou, mas primeiro vou ver quanto devo. Esse é o objetivo da auditoria, além de ver como são geridos os recursos tomados, defendeu. O bispo reafirmou que não há, ao contrário do que Malan havia dito, nenhum partido articulando o plebiscito, mas uma série de entidades. A consulta popular será realizada entre os dias 2 e 7 de setembro, em igrejas, sindicatos, universidades e estandes.


