Agência Folha
De São Paulo
A CNBB pretende reunir na próxima terça-feira, em todo o Brasil, mais de 1 milhão de pessoas durante o ‘‘Grito dos Excluídos’’, a segunda manifestação contra o governo federal em menos de 15 dias. Embora a CNBB negue o caráter político do evento e estejam proibidos discursos e palavras de ordem, o tom da celebração foi dado pelo bispo responsável pela Pastoral Social da entidade, D. Jacyr Braido.
‘‘Vamos manifestar nosso desacordo, mas isso é pouco. Precisamos de política e economia submetidas à ética, de um desenvolvimento participativo e sustentável. Sentimos dificuldade social, a começar pelo desemprego. Precisamos colocar a pessoa, e não a economia e o lucro no centro. Precisamos da globalização da solidariedade’’, declarou. Segundo D. Jacyr, para quem não cabe à CNBB entrar em ‘‘confronto’’ com o governo, a manifestação servirá como ‘‘advertência’’. ‘‘O aprofundamento da doutrina social da igreja visa todos os setores, inclusive o governo.’’
Um dos principais temas do encontro, que tem o apoio da CUT, do MST e da CMP (Central de Movimentos Populares), será o desemprego. Os responsáveis pelo ‘‘Grito dos Excluídos’’ ainda divulgarão documento em que criticam o modelo econômico adotado pelo governo e pedem a revisão do acordo com o FMI, a suspensão das privatizações, a redução dos juros e o ressarcimento dos gastos com o programa de ajuda aos bancos.
O maior evento do dia deverá ocorrer em Aparecida (170 km de São Paulo). A estimativa da CNBB é que aproximadamente outras 2.000 cidades realizem manifestações regionais. Em São Paulo, 92 municípios confirmaram a preparação de atos próprios. Na capital, quatro marchas partirão na terça-feira rumo ao Museu do Ipiranga, onde será realizado protesto.
Os gastos com a manifestação se restringem a R$ 20 mil usados na confecção e distribuição de material de propaganda. Desse total, 50% será pago pela CNBB. O restante será dividido entre entidades.

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