O presidente da CNBB, dom Jaime Henrique Chemello diz que está aberto ao diálogo. ‘‘É um caminho bom e necessário.’’ Ele, entretanto, defende que, nas eventuais conversas sobre a crise brasileira seja respeitada a ética porque na sua avaliação, ‘‘não é apenas o dinheiro que leva a bom termo’’. ‘‘Não devemos apenas discutir a questão das bolsas, que mais parecem uma jogatina, num mundo globalizado de saques’’, reclamou. ‘‘Precisamos lembrar do social’’. Ele afirmou que a globalização permite uma invasão na economia brasileira e exemplificou: ‘‘A China coloca no Brasil camisa ao preço de R$ 5,00, bem abaixo do que a indústra nacional gasta para produzir o mesmo produto’’, comparou dom Jaime, numa clara referência à prática de duping .
O governador Cristovam Buarque defende que, seja qual for o presidente eleito, a crise terá de ser discutida amplamente com a sociedade para se buscar soluções. ‘‘Vamos ouvir e podemos apresentar sugestões’’, tem repetido.
O governador do Rio, Marcelo Alencar diz-se favorável à formação da União Nacional e elogiou seu colega Vito Buaiz: ‘‘Ele gosta de fazer a união e não a desunião’’. Segundo Alencar, a idéia da formação do grupo suprapartidário para discutir a crise do Brasil, é muito boa. ‘‘Eu estou disposto a aderir porque é necessário para facilitar, inclusive, que o presidente consiga viabilizar as medidas e ter compreensão dos governos dos estados e municípios para o rigor do ajuste fiscal’’.
‘‘É hora de união, de se abrir o debate com a sociedade tendo um interloctor do governo’’, insistiu Buaiz. Ele defendeu ainda que no conjunto de discussão deva ser abordada as reformas, principalmente a da Previdência e Tributária. ‘‘Elas deveriam ser votadas jᒒ, disse, lembrando que a elevação da taxa de juros vai aumentar ainda mais a dívida pública dos estados e municípios, razão pela qual considera mais que urgente a votação das reformas. ‘‘Não estamos na fase de protestos, mas de consciência do problema, por isso temos que nos unir: governo, esquerda, oposição, enfim todos os setores da sociedade’’, analisou Buaiz.
O presidente em exercício da CNI, Arthur João Donato, diz que não se furtaria a integrar o grupo, que mobilizaria toda a Nação. Segundo Donato, a CNI está em estágio avançado na preparação de um documento com sugestões para o novo governo, relacionadas à reforma tributária e redução dos juros. Já o presidente da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, teme que a formação do grupo possa favorecer ainda mais o presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Sou contra a reeleição, mas a favor do País’’, disse Sobrinho. Ele, no entando, diz que também participaria do amplo debate, ‘‘em nome da nação’’. A formação do grupo é urgente na medida em que, a cada dia, um fato novo acontece no cenário econômico, indicando a necessidade de providências concretas.

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