CNBB defende participação popular na reforma política
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quinta-feira, 11 de março de 2010
Márcio Falcão<BR>Folhapress 
Brasília, DF- O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Lyrio Rocha, afirmou ontem que o escândalo de corrupção que atinge a cúpula do Governo do Distrito Federal serviu de exemplo para mostrar a fragilidade do sistema político do país e reforçar a necessidade do engajamento da sociedade nas discussões de uma reforma política.
Para o presidente da CNBB, que apresentou ontem o documento ''Por uma reforma do Estado com a participação popular'', resultado da primeira reunião do Conselho Permanente da entidade, o voto não encerra a participação da sociedade na política nacional.
''A reforma política que o país está precisando não pode ser feita meramente nos gabinetes dos parlamentares. [A reforma] Só será feita se tiver participação popular. [...] O exercício democrático não se reduz com o exercício do voto. Não é porque acabou de votar é que você exerceu seus direitos de cidadania. Esse é um elemento. Temos que buscar outros elementos diretos de participação'', disse.
Na avaliação do vice-presidente da CNBB, dom Luis Vieira, as crises políticas ocorrem no país por problemas enraizados. ''Essa crise é mais profunda do que podemos imaginar. É cada vez mais necessária a reconstrução do Estado que tem que vir da sociedade. A sociedade toda tem que discutir um Estado mais forte que responda às necessidades que enfrentamos'', afirmou.
Segundo a CNBB, é preciso uma reforma ampla, inclusive, do modelo econômico vigente no país. ''O grande problema do modelo econômico é que ele é concentrador e excludente. Esse modelo neoliberal precisa ser superado e precisamos encontrar um modelo de inclusão que todos possam ter acesso as riquezas produzidas'', disse.
Dom Geraldo disse que a CNBB, apesar de defender pontos como o plebiscito, reforma urbana e ampliação das oportunidades de trabalho, não apresentará uma reforma fechada, mas pontos para discussão.
''A CNBB não tem pretensão de apresentar uma receita para reforma do Estado, para a reforma política. A CNBB quer um debate amplo e aponta alguns sinais para ajudar na reconstrução do Estado'', afirmou.
Ficha Limpa
Em ato na sede da Arquidiocese do Rio de Janeiro, o arcebispo D. Orani Tempesta apoiou publicamente ontem o projeto Ficha Limpa, que visa a alterar a Lei de Inelegibilidades para impedir a candidatura de políticos condenados ou pronunciados (com denúncia acolhida) devido a crimes graves. O movimento pretende entregar ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), na próxima quarta-feira, projeto de lei de iniciativa popular com esse objetivo, já apoiado por 1,6 milhão de assinaturas. Pela proposta, racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas estariam entre os delitos que poderiam impedir um candidato de concorrer em eleições.


