CNBB defende abertura de arquivos da ditadura
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quinta-feira, 28 de outubro de 2004
Folhapress 
Brasília - Ao dizer que só um governo corajoso ''abrirá arquivos da ditadura'', a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) defendeu ontem a divulgação de documentos secretos do regime militar (1964-1985). Segundo dom Geraldo Majella Agnelo, presidente da CNBB, a abertura de arquivos é necessária para que ''as pessoas que foram injustiçadas recebam reconhecimento''. ''Não queremos levar ninguém aos tribunais, mas a democracia cresce com a busca de justiça para todos'', disse.
Dom Antônio Celso de Queirós, vice-presidente da CNBB, disse que há ''grupos influentes na sociedade que se opõem fortemente'' à abertura dos arquivos. ''Eu compreendo que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, em uma atitude corporativista, se julguem ofendidos. Mas acho que é preciso ter coragem de se olhar os próprios erros, que não foram erros das pessoas de hoje''.
O conselho permanente da CNBB, que se reúne cerca de três vezes ao ano, fez uma ''análise de conjuntura'' e discutiu temas como a questão indígena, a cassação no STF (Supremo Tribunal Federal) da liminar que permitia a interrupção da gravidez de fetos anencefálicos e a aprovação no Senado do plantio de grãos transgênicos.
Dom Geraldo fez um apelo público para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decida ''o quanto antes'' pela homologação, em terra contínua, da reserva Raposa Serra do Sol. ''A situação é de violência iminente'', disse. Segundo ele, a entidade está ''sensível'' à situação enfrentada pelas comunidades indígenas, que se sentem desamparadas pelo governo.
O presidente da CNBB falou ainda que a decisão do STF de cassar a liminar que permitia a interrupção da gravidez de fetos anencefálicos ''não foi vista como uma vitória''. ''Foi uma decisão sábia. Não queremos a decisão de apenas um ministro, mas que seja feito um estudo'', disse.


