O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jayme Chemello, condenou ontem a exploração de temas católicos nas campanhas eleitorais, como vem ocorrendo em Fortaleza e em São Paulo, e taxou de ‘‘indigna e vergonhosa’’ a proposta defendida por congressistas e pelo presidente Fernando Henrique Cardoso de reajustar para R$ 180 o valor do salário mínimo a partir de 2001. Chemello afirmou que o aumento deve atender às necessidades básicas do trabalhador, como prevê a Constituição.
Em Fortaleza, o uso de temas católicos vem sendo feito pelo prefeito Juracy Magalhães (PMDB), candidato à reeleição. Ele usa a imagem de Nossa Senhora para pedir aos eleitores que não votem no candidato do PC do B, Inácio Arruda. Em São Paulo, Paulo Maluf (PPB) aproveita o fato de a Igreja Católica ser contra o aborto e a união civil de homossexuais para atacar a petista Marta Suplicy.
‘‘Se é na minha diocese, eu desautorizo’’, disse Chemello, acrescentando que ‘‘a Igreja não pode servir de palanque’’. Pressionado sobre sua opção de voto em São Paulo, o bispo se recusou declinar sua preferência, mas perguntou ironicamente: ‘‘Você acha que eu tenho cara de quem vota em Maluf?’’
O bispo defendeu uma renovação do comando do País. Disse que ‘‘o Brasil vai mudar quandos as mulheres mandarem’’. Para ele, as mulheres são ‘‘mais sensíveis’’ com os problemas e, por isso, segundo o bispo, poderiam realizar boas administrações.