CNBB critica Lula pelo valor do novo mínimo
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quinta-feira, 27 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Majella Agnelo, e o vice dom Antonio Celso Queiróz sinalizaram ontem que ficarão ''contentes'' se o Congresso aumentar o valor do novo salário mínimo, estabelecido em R$ 260 pelo Palácio do Planalto. Os dois ressaltaram, entretanto, que duvidam que isso vá acontecer. A cúpula da entidade só poupou o governo ao elogiar a ''transparência'' do Ministério da Saúde no caso dos ''perigosos'' vampiros, como são chamados os envolvidos no esquema de compras de hemoderivados.
Na avaliação de Queiróz, o Executivo demonstrou vontade em acabar com a corrupção na Saúde, mas não teve ''jogo de cintura'' ao reajustar o mínimo em apenas R$ 20. ''Gozado, né, os que eram contra um salário tão mínimo agora são a favor. Já os que eram a favor agora são contra'', disse. ''De novo, a vida do povo depende de jogo político.'' Durante entrevista para comentar os resultados da reunião do Conselho Episcopal Pastoral, realizada nesta semana em Brasília, a direção da CNBB também criticou o governo pela demora em enviar uma proposta ao Congresso substituindo a MP que proibia casas de bingos.
Rejeitada no início deste mês pelo Senado, a MP foi editada pelo governo no auge da crise do caso Waldomiro Diniz, ex-assessor da Presidência acusado de pedir propina a um bicheiro. ''Infelizmente, muitas vezes as coisas acontecem porque são provocadas por acidentes de percurso'', disse d. Geraldo Majella. ''Só quando acontece algum crime é que se lembram de apresentar, apressadamente, uma lei, que muitas vezes não passa de interesse pessoal ou de grupo.''
O secretário-geral da CNBB, dom Odilo Pedro Sherer, disse que, durante a reunião, o Conselho Episcopal discutiu principalmente a campanha da fraternidade do próximo ano, ''Solidariedade e Paz'', que será feita em parceria com outras igrejas cristãs, e a ''conjuntura econômica'' do País e do mundo. A questão dos bingos apenas entrou na pauta do debate.
Ele disse que os bispos não têm ilusão das dificuldades do governo em gerar novos empregos e defendeu empenho de toda sociedade para o País voltar a crescer. Sherer defendeu o controle externo do Judiciário, proposto pelo governo nas discussões sobre a reforma da Justiça, e criticou a lentidão dos tribunais. Ao comentar o caso da máfia do sangue revelada pela Polícia Federal, Sherer disse que os vampiros são seres ''perigosos''. ''É lamentável que esse tipo de corrupção explore necessidades tão vitais para a população'', afirmou.


