CNBB contesta sacrifício do povo
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quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Mariângela Gallucci Agência Estado 
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Jayme Chemello, afirmou ontem que o governo se preocupou com os aspectos externos no pacote de ajuste. Não temos o direito de sacrificar o povo em favor de projetos externos, disse. A impressão é a de que a gente está negociando o povo, completou. O bispo criticou a falta de uma medida para conter o capital especulativo no Brasil.
O presidente da CNBB afirmou que a entidade se preocupa basicamente com dois pontos das medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo. O primeiro é que o ajuste parece ter inspiração externa e o segundo, que as medidas têm como meta quase principal pagar juros e dívidas externa e interna.
Ele disse que quem deve ser privilegiado é quem nada tem. Deveria ter sido dito na campanha: nós vamos fazer uma campanha para pagar dívida externa, afirmou. O presidente da CNBB ressaltou que é favorável a que o País honre suas dívidas. Chemello afirmou que esta eleição deu muitas lições. Uma delas é que mais de 30 milhões de eleitores não votaram em ninguém para a Presidência da República.
Chemello afirmou que a instituição do voto facultativo não faria com que apenas os conscientes fossem às urnas. O presidente da CNBB entende que sempre haverá alguém disposto a levar os eleitores à seção de votação por meio de caminhão ou ônibus. Precisamos criar a consciência, disse.
Para o presidente da CNBB, parece que o Brasil está perdendo a condição de país soberano. Chemello previu que as taxas de desemprego no País vão aumentar consideravelmente. Não deveríamos fazer o povo todo sofrer; será que não tem outro caminho?, questionou.
Chemello disse que a Igreja Católica vem alertando há tempo para os perigos de uma globalização sem solidariedade. Para exemplificar efeitos danosos da abertura do País, o presidente da CNBB lembrou a comercialização no Brasil de camisas fabricadas na China a preços bem inferiores dos que são cobrados por produtos nacionais. Quem aguenta isso?, perguntou. Acho que a gente não deveria entregar o povo brasileiro por dinheiro nenhum, afirmou.
Aposentado com R$ 300, Chemello comentou a instituição da cobrança previdenciária dos inativos. Sempre entendemos que esse era direito adquirido, disse. O presidente da CNBB criticou a diminuição das verbas sociais. Vai ver o que é um hospital do SUS... Quero ver você levar seus filhos lá, comentou com os jornalistas.


