CNBB condena uso de temas religiosos
Curitiba A combinação entre religião e disputa eleitoral não agradou a sede da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil no Paraná (CNBB). ''A Igreja Católica busca estimular o sentido de democracia e cidadania da população. Está havendo uma utilização indevida de temas religiosos, por gente que quer ganhar votos de qualquer jeito'', disse o secretário da CNBB no Paraná, Dom Sérgio Braschi.
Para ele, o fenômeno não se restringe à fita, mas atinge outros setores da campanha. ''Não nos posicionamos partidariamente ou damos opiniões sobre um assunto em particular. Nosso trabalho é incentivar a ética na política.''
A expectativa de Braschi parece ter sido frustrada. Os temas satânicos já deixaram o horário eleitoral e atingiram as ruas. Desde o final de semana, outdoors em que Requião aparece têm sido pichados para que o senador ficasse parecido com um demônio. Um assessor ligado a Alvaro chegou a telefonar para a Folha, afirmando que havia indícios da existência de uma seita satânica, com possíveis ligações com Requião.
O próprio José Janene (PPB) deixou no ar uma insinuação relacionada ao fato. ''Não quero fazer nenhuma ilação, mas o caso das Bruxas de Guaratuba aconteceu durante o governo do Requião e ninguém soube o que aconteceu.'' O caso envolveu Celina e Beatriz Abage, acusadas de matar um menino chamado Evandro num ritual de magia negra. Ambas, entretanto, foram a julgamento e inocentadas.
Janene, responsável pela veiculação dos depoimentos de Requião, defende que a frase do senador é importante no contexto eleitoral e não teria sido uma força de expressão. ''O povo brasileiro de forma geral é muito religioso e tem apego a Deus. Eu sou católico e prefiro nem falar muito este nome (diabo)'', afirma.
Já o PMDB, que tem dedicado tempo de programa para rebater a propaganda veiculada pela coligação Vote 12, vê a questão por outros olhos. ''Queremos provar que quem utiliza uma fraude não é digno de voto. Eles estão desesperados porque sabem que nós vamos massacrá-los no segundo turno'', comenta o secretário-geral da sigla no Paraná, Luiz Carlos Delazari.





