CNBB condena abuso do 'poder religioso'
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quinta-feira, 02 de setembro de 2004
Agência Folha 
Salvador - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Majella Agnelo, 70 anos, criticou ontem as religiões que indicam ''candidatos da igreja'' às próximas eleições. ''A Igreja Católica considera isto um abuso do poder religioso, podendo restringir a liberdade democrática garantida na Constituição.''
O cardeal disse que as suas críticas eram extensivas à Igreja Universal do Reino de Deus, que apóia a candidatura do bispo Marcelo Crivella (PL) à Prefeitura do Rio de Janeiro. ''A minha opinião vale para todos os candidatos. Para a CNBB, é um abuso usar a religião e os sentimentos religiosos do povo para fazer campanha política.''
Sobre o fato de padres e outros religiosos católicos também se candidatarem a cargos públicos, ele disse que a Igreja Católica incentiva os fiéis a participarem ativamente da vida política. ''O que não pode é o candidato usar a igreja para fazer campanha política. Isso nós condenamos veemente. Para nós, o religioso pode fazer campanha e participar das eleições, seja padre ou não. O que não pode e não deve fazer é tirar proveito da igreja para se eleger.''
Em Salvador, o presidente da CNBB lançou uma cartilha política para ''orientar'' os católicos nas próximas eleições. De acordo com o texto, o Brasil é um país muito rico, ''mas injusto demais com os seus próprios filhos, principalmente com aqueles que estão situados abaixo da linha de pobreza''.
D. Geraldo Majella também comentou os indicadores econômicos divulgados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que revelam o crescimento da economia. ''As necessidades do povo são tão gritantes que precisamos caminhar muito mais. Vi que o governo pretende dar um salário mínimo de R$ 281 no próximo ano. Isso é salário?'', perguntou o cardeal.
De acordo com d. Geraldo Majella, é necessária a realização de uma ''auditoria'' nas dívidas do Brasil com o FMI (Fundo Monetário Internacional). ''É inacreditável, o Brasil vem pagando esta dívida há muito tempo e nunca termina. A gente vê que é só o povo que paga os juros da dívida, assim não dá.''
A cartilha da CNBB também defende uma revisão de todas as privatizações realizadas pelo governo federal. ''Os serviços básicos de tantos setores não podem ser simplesmente comandados pelo critério do lucro das empresas que os receberam do Estado.''


