CNBB cobra investimento social
São Paulo - O tema do afastamento entre o governo e o PT e os antigos aliados fez parte da análise de conjuntura distribuída há poucos dias aos membros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Produzido por um grupo de seis assessores, sob a coordenação do sociólogo Pedro Ribeiro, professor da Universidade Católica de Brasília, o texto também ataca a política econômica: ''O governo cobra o mais que pode de impostos e gasta o mínimo possível, exceto no pagamento de juros. Ganha a credibilidade dos credores, alcança o equilíbrio financeiro e controla a inflação, mas fica sem recursos para agir nas áreas sociais que levam ao bem-estar da população.''
Há setores de organizações populares que ainda apóiam Lula, segundo a análise, porque ainda não encontraram outro nome melhor. Também afirma que o distanciamento com as bases deve deixar Lula e o PT mais vulneráveis às pressões políticas e dependentes de trocas de favores no Congresso. Dificilmente conseguirão ter apoio a partir de mobilizações sociais, como as que ocorreram no período da Constituinte.
Naquela época, diz o texto, ''os partidos do quadro democrático, embora minoritários, lograram inscrever direitos sociais na Constituição, pelo efetivo apoio das forças organizadas da sociedade civil.'' Para reconciliar-se com as antigas bases, diz o texto aos bispos, Lula deveria rever sua política econômica, voltar-se ''mais para o social do que para a estabilidade monetária e o equilíbrio fiscal''.
A curto prazo não há sinais de que Lula fará isso. Os resultados da política econômica têm sido o trunfo dele para defender o governo. Na semana passada, em meio às críticas, que partem principalmente de setores ligados à Igreja Católica, Lula e o PT comemoravam o crescimento de 5,2% do PIB em relação ao ano anterior a maior taxa desde 1994. (R.A.)





