Hugo Marques Agência Estado
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Jayme Chemello, comparou ontem a Câmara dos Deputados e o Senado a um ‘‘paraíso’’ distante do povo e criticou a política econômica do governo FHC. ‘‘Você já entrou nas casas do governo, Senado, Câmara dos Deputados? Isso aí não é o Brasil, é um paraíso’’, disse D. Chemello em entrevista convocada pela CNBB para abordar assuntos como a Campanha da Fraternidade, o processo de evangelização e denúncia de agressão aos sem-terra no Paraná.
Segundo D. Chemello, falta ‘‘sensibilidade’’ ao poder público para atender os interesses das pessoas ‘‘mais pobres’’ no País. O bispo criticou principalmente a falta de políticas públicas para a geração de empregos e aumento de salários. ‘‘O povo brasileiro só sabe que está passando fome’’, disse, ‘‘que o salário não dá para comer’’.
O presidente da CNBB criticou também FHC, pelas mudanças que atingiram entidades filantrópicas, muitas delas dirigidas pela Igreja. D. Chemello afirmou que é necessário separar a ‘‘filantropia da pilantropia’’. Segundo ele, o governo tratou pessoas inescrupulosas da mesma forma que tratou pessoas sérias.
D. Chemello deixou claro que a Igreja não aceita o argumento de que o governo perde com arrecadação de impostos ao conceder benefícios às entidades filantrópicas. O bispo afirmou que a Igreja está concedendo bolsas de estudo grátis e assistindo os pobres. ‘‘Sempre se acha recursos quando há banco no meio’’, disse. Ele criticou ainda o argumento sobre inexistência de recursos. ‘‘Onde está o dinheiro do povo, das privatizações?’’, disse.
O presidente da CNBB encontrou-se na terça-feira com o presidente Fernando Henrique. Segundo o bispo, eles conversaram sobre a filantropia. Fernando Henrique, disse D. Chemello, apresentou uma defesa ‘‘não muito feliz’’ ao dizer que a Igreja não deveria se envolver em alguns assuntos. D. Chemello afirmou que todo cidadão tem o direito de criticar o governo. ‘‘Parecia que ele nos tirava o direito de cidadão’’, disse.

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