Brasília O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil(CNBB), dom Jayme Chemello, reiterou ontem que a entidade é contrária à inclusão do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) se o acordo para este fim seguir os mesmos moldes do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).
Ele lembrou que os Estados Unidos (EUA) foi o único país da região beneficiado pelas políticas do Nafta, e que outros, como o México, tiveram aumentada a desigualdade na distribuição de renda.
''Se a Alca seguir o mesmo padrão do Nafta, então não serve para o Brasil'', comentou dom Chemello. A CNBB apóia o plebiscito sobre a Alca, que será realizado em todo o país à partir de amanhã. O plebiscito é uma iniciativa das pastorais da Igreja Católica, de centrais de trabalhadores, de organizações do movimento social e de partidos políticos da oposição. O PT, maior partido de esquerda do país, não participa do plebiscito para não misturar a discussão com as eleições gerais de outubro.
Segundo dom Chemello, que é bispo em Pelotas (RS), o principal objetivo da consulta à população é informar sobre a Alca. ''Nós não podemos entrar (na Alca), uma nação inteira, sem saber o que está acontecendo. Daí a razão do plebiscito'', afirmou.
''A tendência é que, nos termos atuais do acordo da Alca, a situação do nosso país fique ainda pior'', disse o presidente da CNBB. De acordo com dom Chemello, 30% do Brasil estão numa situação comparada à Alemanha e aos Estados Unidos. ''E os outros 70%?'', indagou.
O resultado do plebiscito sobre a Alca deverá ser divulgado no dia 17 de setembro e encaminhado ao Congresso Nacional, Superior Tribunal de Justiça e governo federal. A cédula de votação tem três perguntas: se o cidadão é contrário à Alca, se é contra a participação do Brasil nas negociações para a área de livre comércio e se concorda com a cessão aos Estados Unidos da Base Espacial de Alcântara (MA).
Podem votar todas as pessoas acima de 16 anos, desde que identificadas com documento (RG, carteira de trabalho, de estudante, de motorista, título de eleitor etc.) pessoal. As urnas de votação serão colocadas em terminais de ônibus, escolas, universidades, paróquias, sindicatos e feiras.

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