O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Lindomar Mota dos Santos, disse ontem que ainda não verificou elementos suficientes para justificar aumento da tarifa do transporte coletivo em Londrina - atualmente em R$ 2. Ontem pela manhã, Santos encontrou-se com representantes da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara de Londrina sobre o transporte coletivo e teve acesso aos dados levantados até o momento. À FOLHA, o presidente afirmou que a CMTU está elaborando uma nova planilha.
''Estamos levantando valores, fazendo pesquisas e revendo aquilo que está na planilha que ensejou o pedido de aumento (em dezembro de 2008)'', disse. ''O que a gente percebe é que há algumas distorções. A prefeitura compra combustível a R$ 1,84 e a planilha cita R$ 1,92. Também tem uma pequena distorção no preço do pneu e na questão da vida útil. Eu sou contador e nosso trabalho será técnico, em cima dos números.''
Santos afirmou também que se as empresas que exploram o sistema conseguem comprar insumos por valores inferiores aos da planilha, a ''tendência'' é de que o preço da tarifa esteja acima do que deveria. ''A princípio é isso. Se tem combustível mais caro na planilha, é um indício de que o valor, no final, vai ser superior'', disse. ''Mas temos que fazer uma avaliação por inteiro, levando em conta todos os custos do sistema.''
Além de aprofundar a troca de informações com a CEI, a CMTU também está solicitando dados financeiros das próprias concessionárias - TCGL e Francovig. ''Já temos os balanços das empresas e vamos solicitar a demonstração do fluxo de caixa'', afirmou. A medida visa esclarecer o desempenho econômico das empresas. ''A empresa enfatiza a necessidade de lucratividade de 7,5%. Vamos evidenciar se existe ou não. A intenção não é lesar a empresa, mas também não podemos lesar a população.''
Prejuízo
O presidente da CMTU afirmou ainda que, a princípio, não é contrário a adiar a decisão sobre o aumento até o término dos trabalhos da CEI - o que deve acontecer no final de junho -, de acordo com pedido feito pelos vereadores ao Executivo. Neste período, haverá a data-base dos funcionários das empresas, o que, segundo ele, ''tem um impacto muito grande na planilha''. ''Em princípio podemos esperar, mas quanto mais demorar talvez possa criar mais problemas.''
Dentre os problemas, Santos cita os prejuízos sobre as finanças da própria CMTU. Isso porque, após a decisão judicial de suspender o aumento, no início do ano, as empresas obtiveram uma liminar desobrigando o repasse da taxa de gerenciamento à companhia - num montante mensal próximo a R$ 280 mil.
''Temos um déficit mensal de R$ 300 mil. Precisamos normalizar isso logo'', disse. Para minimizar os impactos no caixa, a CMTU reduziu de 31 para quatro o número de cargos comissionados, e a redução em 20% nos salários dos que permaneceram. A medida deve gerar economia de mais de R$ 100 mil por mês.

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