Depois da polêmica envolvendo a licitação para o recolhimento do lixo domiciliar em Londrina - suspensa judicialmente desde fevereiro -, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) vai fazer a pesagem de tudo o que é levado à Central de Tratamento de Resíduos (CTR), no distrito de Guaravera, na zona sul. Uma balança foi alugada por um mês pelo preço de R$ 7.950 e a expectativa do presidente da companhia, André Nadai, é começar a pesagem em 10 dias. ''A gente vai fazer essa pesagem até por conta desta discussão sobre a quantidade de lixo que a cidade produz e faz parte de estudo amplo que estamos fazendo sobre o lixo'', afirmou Nadai.
A CMTU estima que cada londrinense produz 820 gramas de lixo por dia, o que corresponde a 12,1 mil toneladas por mês, conforme consta no edital da concorrência pública suspensa pela Justiça a pedido do Ministério Público. Naquela ocasião, o Observatório de Gestão Pública apontou que o próprio Plano Municipal de Saneamento - aprovado em julho de 2010 - previu quantidade 33% menor, ou seja, cada londrinense produziria 615 gramas de resíduos por dia. Tal diferença representaria um gasto de R$ 15,2 milhões a mais na coleta de lixo, o que representaria 23% do edital cancelado, no valor total de R$ 119 milhões.
A própria empresa que executa hoje o serviço de recolhimento de lixo por meio de contrato emergencial - a MM Consultoria - fez a pesagem do lixo e chegou a a um valor próximo ao estimado pelo Plano de Saneamento. ''Mas não podemos levar em conta este estudo, que foi feito pela empresa e de maneira extraoficial. Vamos fazer nosso próprio estudo'', disse Nadai. A reportagem da FOLHA não conseguiu manter contato com a empresa para saber o valor exato da pesagem.
Nadai disse ainda que convidou o Ministério Público e o Observatório para que encaminhem representantes para acompanhar a pesagem. ''Não temos nada a esconder.'' Segundo ele, o resultado da pesagem pode não ter efeito prático sobre a licitação suspensa, porque a CMTU recorreu e pretende aguardar decisão do Tribunal de Justiça. ''Mas, dependendo do resultado, vamos ver se é preciso fazer alguma alteração.''
O presidente da CMTU disse ainda considerar que ''os contratos emergenciais não são melhores que as licitações'' porque ''favorecem a descontinuidade do serviço''. ''Trabalhamos tecnicamente no edital e tenho convicção de que não houve erros, mas temos que aguardar as decisões judiciais.'' Além da licitação do recolhimento do lixo, também foi suspensa pela Justiça a licitação da capina e roçagem por problemas muito semelhantes aos do edital do lixo: preço incompatível, aglutinação de serviços e excesso de duração do contrato.

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