CMTU vai analisar situação de membros de cooperativa
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terça-feira, 06 de dezembro de 2011
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, vai analisar a situação do presidente da Cooprelon, cooperativa contratada para coletar lixo reciclável de 95 mil domicílios de Londrina e do diretor financeiro, que afirmaram à FOLHA que embora tenham trabalhado lixo reciclável nos últimos tempos não são catadores de baixa renda.
A lei determina que apenas catadores de baixa renda podem fazer parte da cooperativa. Conforme a ata de fundação da Cooprelon, até um contador fazia parte da cooperativa. Ele foi eleito como diretor financeiro, mas acabou desistindo do cargo ''por motivos pessoais'' em uma segunda reunião. Outro cooperado, nomeado como secretário, também não atendia às especificações legais, e acabou saindo.
''Vou convocar uma reunião e analisar esta situação'', afirmou Nadai, referindo-se ao presidente Maurício Montezini e ao diretor financeiro, Erlandes Antonio dos Santos Silva, que não são catadores de baixa renda. Segundo Nadai, a cooperativa apresentou declarações de que são todos são catadores de baixa renda e, se comprovado o contrário, os diretores poderão ser destituídos das funções e, eventualmente, responder por declaração falsa. Montezini, antes de ser presidente da cooperativa, prestava serviços à Supra Clean, chefiando o setor de reciclagem. A Supra, que fabrica objetos a partir de material reciclável, é uma espécie de patrocinadora da Cooprelon, conforme revelou ontem a FOLHA.
Terceirização
Nadai disse que autorizou a Cooprelon a terceirizar parte do serviço para o qual foi contratada à empresa. A Supra vai ceder caminhões para a cooperativa transportar o lixo até o barracão de triagem e receberá para isso. A verba prevista no contrato para este serviço é de R$ 63 mil. O contrato entre a CMTU e a Cooprelon proíbe a ''subcontratação ou a cessão e transferência, total ou parcial, do objeto contratual a terceiros, sem prévia e expressa aceitação da CMTU''. ''Não vejo que isso seja uma terceirização, mas, de qualquer forma, quando analisamos o plano de trabalho da Cooprelon sabíamos da parceria com esta empresa e autorizamos que o serviço fosse feito desta maneira'', afirmou Nadai.
A ''parceria'' entre a Supra e Cooprelon chama a atenção porque a empresa está legalmente impedida de executar este serviço - que é exclusivo para cooperativas formadas por catadores de baixa renda - mas tem interesse no material coletado, já que 99% da matéria-prima da Supra é plástico reciclável.


