A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) rescindiu ontem unilateralmente o contrato com a Cooperativa Regional de Coleta Seletiva e Reciclagem da Região Metropolitana de Londrina (Cooprelon), argumentando que várias cláusulas foram descumpridas pela contratada, conforme levantamento feito pela Diretoria de Operações. A cooperativa foi notificada ainda ontem da decisão e tem prazo de cinco dias úteis, a partir de hoje, para pedir reconsideração. ''Somente depois desta data é que poderei dizer se outra cooperativa será contratada'', disse a assessora jurídica da companhia Tatiana Muller.
O contrato entre a CMTU e a Cooprelon é de cerca de R$ 200 mil mensais para coletar materiais recicláveis em 77 mil domicílios da cidade. Entre as irregularidades contratuais, a assessora citou a apresentação de recibos com suspeita de fraude; o pagamento - com recursos repassados pela CMTU - por veículos utilizados por cooperados, como uma motocicleta e um veículo Santana Quantum (apenas caminhões - para o transporte do material reciclável - poderiam ser contratados com o dinheiro do contrato); e a ausência da lista completa de cooperados. Os cooperados também recebiam salários, o que não é permitido no sistema de cooperativismo. Tudo o que é produzido deve ser rateado.
A cooperativa conseguiu sanar algumas irregularidades, como o pagamento de altos salários (cerca de R$ 3,5 mil) para os diretores em detrimento dos cooperados, que ganhavam, no máximo, um salário mínimo. Também pesou na decisão pela rescisão o fato de o presidente da cooperativa, Maurício Montezini, não ser catador de baixa renda. ''Era um número muito grande de irregularidades e muitas eram insanáveis'', disse a assessora jurídica.
O advogado da cooperativa, Vinícius Borba, disse que vai apresentar o recurso administrativo e, caso a decisão seja mantida, poderá ir à Justiça. Quanto às irregularidades, disse que não tinha conhecimento integral do que alega a CMTU e que já apresentou defesa nas fases anteriores do procedimento, explicando que não houve fraudes. Hoje o presidente da CMTU, Carlos Geirinhas, e o diretor de Operações, Gilmar Domingues, devem dar entrevista coletiva sobre a rescisão do contrato.

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