CMTU pagou por serviços não prestados
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina teria pago R$ 98 mil à Construtora Xapuri Ltda. por serviços de capina e roçagem não prestados em setembro de 2009. Segundo relato de uma fonte, o fiscal do contrato à época teria apontado que a parcela prevista para aquele mês era de aproximadamente R$ 130 mil, mas somente cerca de 25% do serviço teria sido prestado. Ou seja, em tese, a empresa deveria receber pouco mais de R$ 30 mil, mas recebeu o valor integral (R$ 130 mil). O então diretor de Operações da CMTU, Aguinaldo Rosa, teria insistido em descontar o valor, fazendo o pagamento proporcional, mas a diretoria financeira, ocupada então por André Nadai - hoje presidente da companhia - não considerava adequado o desconto.
A mesma fonte relatou que o procedimento foi encaminhado à Controladoria-Geral do Município, que teria recomendado que a companhia pedisse a restituição do valor pago irregularmente. O controlador-geral, Hélcio dos Santos, disse não poder comentar o teor do relatório e tampouco fornecer cópia.
Ontem, Aguinaldo também evitou falar sobre o assunto. ''Tudo o que aconteceu lá, eu escrevi e assinei. Acho que você deveria procurar o André Nadai sobre isso.'' O ex-diretor disse que o procedimento normal era analisar os relatórios dos fiscais e confirmá-los, se corretos. ''Eu nunca fui chamado para ser ouvido em nenhuma investigação interna ou externa sobre isso.'' André Nadai foi procurado ontem por meio de assessoria de imprensa da CMTU, mas o encarregado, Leandro Rosa, não deu retornou à solicitação de entrevista.
A Xapuri, que posteriormente mudou sua razão social para Biocollecta, foi contratada em setembro de 2009, sem licitação, sob a justificativa de que o Plano Municipal de Saneamento Básico não estava aprovado. O contrato, no valor de R$ 2,3 milhões, por seis meses, foi rescindido antes do prazo - em dezembro de 2009 - porque a empresa não realizou o serviço da forma contratada. À época, eram inúmeras as denúncias de mato alto na cidade e a Xapuri foi notificada mais de 100 vezes e multada pela CMTU. Tais irregularidades deram motivo a uma rescisão unilateral do contrato, medida que foi tomada pelo então presidente da companhia, Lindomar dos Santos.
Porém, sem qualquer explicação ou publicação, a rescisão foi convertida em amigável. ''Tudo o que fiz à época foi com base em pareceres jurídicos'', disse Santos, preferindo ''não polemizar''. A Xapuri foi substituída pela MM Consultoria e Serviços que hoje presta o serviço em Londrina, também sem licitação. Santos também não soube dizer porque a empresa foi paga mesmo com um parecer interno atestando que o serviço não foi executado. A reportagem não conseguiu contato ontem com a Biocollecta, cuja sede é em Belo Horizonte.


