Sem fazer orçamentos com outras empresas do setor, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) firmou novo contrato emergencial com a empresa MM Consultoria, Construções e Serviços Ltda., da Bahia, para o recolhimento de lixo em Londrina ao custo de R$ 6,8 milhões por seis meses. O contrato começa a vigorar amanhã. No primeiro semestre do ano passado, o Ministério Público (MP) estadual expediu recomendação administrativa para que, antes de firmar novo contrato emergencial, a companhia consultasse pelo menos as empresas que haviam demonstrado interesse em disputar a licitação do lixo, cancelada pela Justiça em razão de irregularidades no edital.
Dessa vez, o presidente da CMTU, André Nadai, considerou que a nova consulta não era necessária. ''Não houve alteração substancial em preços e valores. A gente consultou a MM e os preços continuam praticamente os mesmos'', defendeu. ''Por isso, entendemos que não havia necessidade de fazer uma nova consulta a outras empresas.''
O valor do novo contrato é 4% superior ao anterior, firmado em junho. ''É alguma coisa de dissídio da categoria ou algum insumo utilizado, mas praticamente o valor é o mesmo.'' Pelo contrato anterior, a CMTU pagou cerca de R$ 300 mil a menos, o que correspondia a R$ 1,093 milhão por mês.
A MM vem executando o serviço de recolhimento do lixo domiciliar sem licitação desde o início da administração do prefeito Barbosa Neto (PDT). Em dezembro, em entrevista à FOLHA, o prefeito disse que neste mês deveria licitar novamente o serviço. Nadai, no entanto, não referenda a posição. ''A gente estuda fazer alteração no edital e republicar a licitação do lixo, mas nada está definido ainda. Se não fizermos a alteração, teremos que esperar a decisão do Tribunal de Justiça'', afirmou. ''Mas não posso dizer que isso ocorrerá em janeiro e nem prever datas.''
A licitação foi suspensa em maio pela Justiça a pedido do MP, que apontou supostas irregularidades no edital, como a junção de sete serviços que somavam R$ 119 milhões, por cinco anos, e a superestimativa da quantidade de lixo a ser coletada na cidade: 12 mil toneladas contra 9,6 mil previstas no Plano Municipal de Saneamento. Tal erro oneraria os cofres públicos em 23%.

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