CMTU digitalizou material, mas entregou papéis
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quinta-feira, 08 de maio de 2014
Loriane Comeli e Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Antes de encaminhar 82,5 mil folhas de documentos mais de 400 quilos de papel, a um custo de aproximadamente R$ 8 mil à Câmara de Londrina, a Companhia de Trânsito e Urbanização (CMTU) havia digitalizado todo o conteúdo. Esse fato despertou a preocupação do Conselho Municipal de Transparência e Controle Social, que vai solicitar informações à prefeitura, à Câmara e à CMTU, e a indignação do vereador Mário Takahashi (PV), autor do pedido de informações. A Câmara já havia começado a digitalizar todo o material.
O presidente do Conselho de Transparência, Fábio Cavazotti, disse que o órgão quer saber se a CMTU não ofereceu cópia digital dos documentos ou se o vereador não as aceitou. "Queremos saber se houve desencontro de informações e, se de fato isto ocorreu, talvez propor uma regulamentação para que isso não volte a ocorrer, para que não haja gasto desnecessário do dinheiro público."
O presidente da companhia, Carlos Geirinhas, admitiu que não ofereceu ao vereador cópia digital do material. Segundo ele, após reunião com o prefeito Alexandre Kireeff (PSD), ficou decidido que tudo seria escaneado e impresso para ser entregue ao vereador. "Nós informamos ao vereador que era um volume muito grande de processos e que ele poderia consultar na própria CMTU porque não tínhamos condições de fazer cópia de tudo. Falei com ele várias vezes e ele sempre insistiu em cópias físicas. Por isso não oferecemos cópia digital", relatou.
As 29 caixas de documentos referentes a contratos firmados pela CMTU entre 2012 e 2014 foram entregues na Câmara na semana passada, carregadas por uma caminhonete da CMTU, protegida por dois agentes de trânsito em motocicletas. "Não foi um circo. Foi necessário devido ao volume de material", disse Geirinhas. "Me sinto mal com tudo isso. Gostaria de pôr um ponto final."
Takahashi, por outro lado, não vai encerrar a polêmica. Ele já solicitou informações sobre o procedimento de digitalização e impressão do material, o que para ele caracteriza má gestão do dinheiro público. "É um sarcasmo sobre o trabalho de fiscalização, que é prerrogativa do vereador", diz.
Enquanto aguarda as respostas, o trabalho de digitalização da papelada foi suspenso pela Câmara. De acordo com o vereador, seria irresponsabilidade empenhar recursos humanos para executar um serviço que pode já estar pronto.


