O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, afirmou na manhã de ontem que será publicado na próxima segunda-feira um edital para a contratação de uma empresa para fazer a coleta do lixo reciclável na área que poderia ser atendida pela Coocepeve - já que a cooperativa não teria apresentado os documentos necessários para firmar contrato com a administração. A presidente da cooperativa, Sandra Araújo, alegou ter ficado ''chocada e surpresa'' com a notícia, já que, segundo ela, a negociação para a contratação da Coocepeve pela CMTU ainda estava em curso.
Segundo Nadai, ''a Coocepeve neste momento está descartada'', por conta de problema com a documentação. ''A presidente da Coocepeve nos procurou no início desta semana e ficou de trazer a documentação, mas não nos procurou mais, não manifestou interesse em relação a isso, por isso faremos o edital'', garantiu, alegando que os 160 catadores ligados à Coocepeve poderiam se incluir nas outras cooperativas da cidade.
A CMTU pretende contratar uma terceirizada para fazer a coleta do lixo reciclável em 55 mil domicílios londrinenses uma vez por semana. O valor do contrato é de R$ 93 mil mensais. Com a licitação, serão 212 mil domicílios atendidos pela coleta, já que, atualmente, outras duas cooperativas, a Cooprelon e a Coopersil, atendem 73 mil casas e 84 mil casas, respectivamente.
A presidente da cooperativa alegou que Nadai, por duas vezes em reuniões feitas no prédio da CMTU, afirmou que os problemas com a documentação da Coocepeve poderiam ser resolvidos. ''Realmente temos problemas. Um deles é a certidão estadual da cooperativa, que está como inativa porque a Coocepeve não tem movimentação de dinheiro. Sobre isso ele falou que após o primeiro mês da contratação, com o dinheiro que iríamos receber, a certidão ficaria certa'', explicou.
Outro problema seria a falta de um barracão para receber o material. Segundo Sandra, a CMTU alugou um barracão para que a cooperativa funcionasse, mas parou de pagar os aluguéis. ''Então o advogado do dono ganhou uma ação de despejo. Mas ele não poderia ter nos avisado? A gente poderia ter voltado para o nosso barracão, que está ativo. Na minha opinião ele nunca quis nos contratar. Ele quer terceirizar todo o serviço'', finalizou.
A briga entre a cooperativa e a CMTU já foi parar na Justiça. No mês passado, a Coocepeve entrou com uma ação para que os contratos entre a CMTU com as duas outras cooperativas fossem anulados. Ainda não há decisão. A advogada da Coocepeve, Celiane Carla Sella de Almeida, alegou que pretende analisar o edital que será lançado. ''Veremos o que podemos fazer, até em relação a ação que já foi feita. Ficamos surpresos com essa decisão da CMTU, mas temos esperança que ainda haja um entendimento.''

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