CMTU demite agente e sindicato fala em perseguição
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
O Sindiurbano em Londrina denunciou ontem mais uma demissão injustificada de agente de trânsito. Casos do tipo já tinham sido registrados por funcionários na época em que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) estava sob o comando de André Nadai, ainda na gestão do prefeito cassado Barbosa Neto (PDT). Ontem, apenas com a ''justificativa'' de que a CMTU não precisava mais de seus serviços, o agente de trânsito Edson Duarte, concursado há 14 anos, foi demitido. Ele faz parte de um grupo de agentes que denunciou em 2010 promoções indevidas na companhia (que resultou em decisão da Justiça do Trabalho para o rebaixamento desses funcionários) e o esquema de cancelamento indevido de multas, que envolve o ex-diretor de Trânsito e atual diretor de Transportes, Wilson de Jesus.
Recentemente, o grupo ainda articulou a criação de uma unidade em Londrina do Sindiurbano (que já atuava em Curitiba), entidade contrária à participação de guardas municipais na fiscalização de trânsito, conforme deseja a CMTU. ''Acredito, sim, que se tratou de perseguição. Faltam agentes e não havia motivo para minha demissão. O clima não mudou desde a saída do Nadai'', comparou Duarte.
O presidente do Sindiurbano, Valdir Mestriner, afirmou que a entidade deve protocolar pedido de reintegração de posse em favor de Duarte porque a demissão foi ilegal. ''A lei prevê que 90 dias antes das eleições e até a posse ninguém pode ser demitido do serviço público ou de sociedades de economia mista. É um ato ilegal.'' Além disso, ele argumenta que as demissões, ainda que em uma companhia não totalmente pública, não podem ser imotivadas. ''A Justiça do Trabalho entende que se houve concurso público para a admissão deve haver um processo administrativo para a demissão.''
Para Mestriner, não há dúvida do caráter arbitrário da demissão. ''Não há respeito à lei e muito menos com o trabalhador. Este é um agente que não tem nada em sua ficha funcional que o desabone enquanto o ex-diretor de trânsito está envolvido em cancelamento de multas e ninguém faz nada'', criticou.
O sindicalista afirmou ainda que irá protocolar denúncia no Ministério Público para que o presidente da companhia seja responsabilizado pelos prejuízos que a CMTU terá com a demissão de Duarte, como multa sobre o FGTS por demissão sem justa causa.
O presidente da CMTU, Octávio Cesário Pereira Neto, disse ter simplesmente acatado pedido do diretor de Trânsito, capitão Diógenes Gonçalves. ''Ele me disse que não teria mais razão para manter esse agente. A companhia vai contratar agentes aprovados em concurso público e o capitão quer renovar a equipe'', disse. ''Não houve perseguição.'' Questionado sobre os pontos acerca da ilegalidade da demissão, ele afirmou que ''o departamento jurídico da CMTU cuidará disso.''


