Durou mais de três horas o primeiro depoimento tomado pelos vereadores que compõem a Comissão Especial de Inquérito (CEI) sobre a planilha do transporte coletivo. O diretor de Transportes da CMTU, Wilson de Jesus, defendeu a regularidade dos dados e alegou que a apuração do valor da tarifa segue as recomendações do Ministério dos Transportes. Segundo ele, a sistemática adotada em Londrina não aborda o conceito de lucro - mas de remuneração sobre o capital investido.
''Quanto maior o capital, maior a remuneração. Por exemplo, se os ônibus são novos, a remuneração é maior'', afirmou. Wilson de Jesus reconheceu, porém, que a CMTU não sabe informar precisamente o valor da remuneração obtida pelas empresas em 2008. Ele se limitou a explicar que fica entre 5% e 6% da arrecadação anual - o que dá cerca de R$ 5 milhões. A arrecadação anual do sistema chega a aproximadamente R$ 86,4 milhões. ''A CMTU não avalia o resultado das empresas, mas o sistema de transportes'', afirmou.
O presidente da CEI dos Transportes, Joel Garcia (PDT), se disse ''surpreso'' com algumas informações repassadas pela CMTU. ''Em 2008, durante a Exposição (Agropecuária), foram transportados apenas 34 mil passageiros. Pelos dados da Sociedade Rural (do Paraná), os visitantes chegam a 800 mil nos dez dias e feira - e só três mil por dia andam de ônibus?'', questionou. Wilson de Jesus rebateu a informação dizendo que o dado só inclui as viagens entre o Parque de Exposições e o Centro. ''As viagens de ida não são computadas e na volta muita gente pega carona ou vans'', afirmou.
Garcia também disse que estranhou a forma de cotação de preços dos insumos do sistema. ''A tomada de preços de combustível e pneus é feita no mercado local, mas eles não compram aqui; a gente sabe que isso é feito diretamente com os fabricantes'', disse.
Após o depoimento de Wilson de Jesus, os vereadores tomaram o depoimento de Cristiane da Silva Felício - uma das responsáveis técnicas da planilha. Ela não quis conceder entrevista à imprensa. A demora nos dois depoimentos levou ao adiamento dos interrogatórios de mais dois técnicos da CMTU - que serão ouvidos na semana que vem.
Também participaram dos interrogatórios o relator da CEI, vereador Rodrigo Gouvea (PRP), o procurador da Câmara, Maurício Emanuel, e o vereador Tito Valle (PMDB), que é o terceiro membro da CEI.
Segundo Garcia, a OAB não respondeu ao ofício da Câmara convidando a entidade a enviar um representante para acompanhar as investigações. O vereador também disse que o ex-secretário municipal de Fazenda Jair Gravena vai atuar na comissão na condição de auditor dos dados da planilha. O trabalho dele deve começar na semana que vem.

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