Depois de meses de desentendimento, finalmente a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e a cooperativa de catadores e recicladores Coocepeve assinaram um contrato de prestação de serviços de triagem de materiais recicláveis em Londrina. O contrato, no valor de R$ 473 mil por seis meses, foi assinado na segunda-feira e os serviços começam a ser executados hoje em barracões já alugados pela cooperativa.
Não houve novidades em relação ao que já havia sido discutido entre CMTU e Coocepeve. Pelo contrato, os recicladores não vão mais recolher o lixo de porta em porta, como faziam até então - sem contrato com o poder público - e como fazem as duas outras cooperativas contratadas pela CMTU, a Cooprelon e a Coopersil. A Coocepeve irá apenas triar e vender o material, previamente recolhido pela CMTU. No valor total do contrato, estão incluídos repasses para compra de equipamentos de proteção individual, aluguel de barracões e INSS para os cooperados.
Hoje a Coocepve aluga quatro barracões e a ideia, com o contrato, é ampliar o número para nove. ''Os recicladores ficaram responsáveis por triar o lixo de até 55 mil domicílios, mas a cooperativa vai receber esse material de forma gradativa, conforme sua capacidade'', explicou a advogada da Coocepeve Juliana Torres Milani, afirmando que o limite mínimo são os resíduos de 38 mil domicílios.
Segundo ela, não foi possível excluir do contrato a cláusula prevendo a compactação reciclável conforme desejavam os catadores, uma vez que compactar materiais diferentes, como vidro e plástico, por exemplo, podem invibiabilizar a venda dos produtos. ''Mas conseguimos fazer constar que a compactação será leve, de maneira a não comprometer o valor comercial dos recicláveis'', disse, acrescentando que a CMTU deverá recolher o rejeito resultante da triagem e se comprometeu a rever a decisão de compactar o lixo se aumentar a quantidade de rejeito. ''Não é o contrato ideal, mas é uma vitória no sentido de que a cooperativa provou que tinha toda a documentação e o poder público teve que contratá-la'', finalizou a advogada.
A CMTU não informou como irá coletar o lixo reciclável dos 55 mil domicílios. A Ecosystem havia vencido a disputa para executar o serviço, mas a Justiça de Londrina concedeu liminar à ONG Meio Ambiente Equilibrado suspendendo o processo porque a empresa tinha dívidas trabalhistas e não poderia assinar contrato com o poder público. A assessoria de imprensa da companhia não deu retorno ao pedido de entrevista.

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