Após receber denúncias anônimas e investigá-las durante 15 dias, a Diretoria de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) apontou uma série de graves irregularidades na Cooperativa Regional de Coleta Seletiva e Reciclagem da Região Metropolitana de Londrina (Cooprelon). A cooperativa, investigada pelo Ministério Público (MP) desde dezembro de 2011 por outras irregularidades, mantém atualmente contrato de R$ 1,2 milhão com o município para recolher material reciclável em 77 mil domicílios da cidade.
O fato mais grave está relacionado à denúncia de emissão de notas fiscais ''frias'' para receber integralmente os recursos repassados pela CMTU. ''Ainda não comprovamos esta denúncia, mas há informações contundentes de que a cooperativa teria apresentado notas frias para receber pagamentos que a companhia libera apenas mediante comprovação do gasto'', explicou o diretor de Operações, Gilmar Domingues. Também há gastos no mínimo curiosos, como a locação de um veículo Santana Quantum por R$ 2,5 mil mensais.
As suspeitas também recaem sobre outros fatos potencialmente irregulares, como a discrepância entre os salários de diretores da cooperativa e dos demais cooperados, que executam atividades-fins, como coleta e reciclagem. Segundo Domingues, dois diretores recebem R$ 3,5 mil mensais; outras três pessoas, cerca de R$ 1,3 mil; e os outros cerca de 80 cooperados perfazem rendimento de R$ 600.
''O único problema não é a diferença de valores, mas, também o fato de que os cooperadores não devem receber salários, mas partilhar os rendimentos'', explicou o diretor. ''A princípio, é uma situação totalmente irregular, deturpada da ideia de cooperativismo.''
A Cooprelon também teria dívidas de aproximadamente R$ 140 mil, segundo o presidente da cooperativa, Maurício Montezini, teria admitido a Domingues. ''Constatamos também que a produção da Cooprelon está muito abaixo do esperado. Recolhem cerca de 150 toneladas por mês enquanto outra cooperativa com contrato muito semelhante alcança 430 toneladas mensais.'' A intenção é aprofundar as investigações. ''Creio que terminaremos a auditoria em todas as quatro cooperativas em cerca de 30 dias'', estimou Domingues.
O promotor de Defesa do Patrimônio Publico, Renato de Lima Castro, requisitou, conforme permite a Lei de Improbidade Administrativa, que a CMTU instaure um procedimento específico para apurar a suposta emissão de notas frias. ''Quando concluírem a investigação, vamos anexar à
investigação iniciada em 2011'', disse Castro.
A investigação de 2011 apura parceria entre a Cooprelon e uma empresa que fabrica produtos de limpeza a partir de material reciclável e o fato de dirigentes não serem catadores de baixa renda. A lei federal 11.445/2007 (Lei Nacional do Saneamento Básico) permite que somente cooperativas formadas exclusivamente por catadores de baixa renda podem firmar contrato com o poder público, sem licitação, para coletar lixo reciclável.
Caminhões
A Diretoria de Operações da CMTU também constatou irregularidades nos veículos utilizados pela Cooprelon e a pela Cooperoeste. No primeiro caso, cinco dos seis caminhões utilizados pela Cooprelon estão circulando indevidamente: dois estão com o licenciamento atrasado, dois bloqueados por decisão judicial e o quinto tem diversas multas. Já na segunda cooperativa, dois dos sete veículos têm problemas no licenciamento e bloqueio judicial e dois motoristas não tinham habilitação na categoria exigida para conduzir caminhões.
''Os motoristas tiveram de ser imediatamente substituídos. Quanto às outras irregularidades, as cooperativas têm três dias para se regularizarem sob pena de apreensão dos veículos'', explicou Domingues.
Montezini foi procurado em seu telefone celular e na sede da cooperativa, mas não foi localizado ontem. A reportagem também não conseguiu contato com dirigentes da Cooperoeste.

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