CMTU admite rever planilha após relatório da CEI
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Ainda que a Prefeitura de Londrina estude um ''indicativo de reajuste'' na tarifa do transporte coletivo, o relatório final da Comissão Especial de Investigação (CEI) pode fazer com que o Executivo reveja ou mesmo retroceda em eventual tentativa de mexer na planilha vigente desde 2006.
A declaração é do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Lindomar Mota, que, em discurso divergente ao do prefeito Barbosa Neto (PDT), negou ontem que a administração esteja sendo pressionada pelo Legislativo. Em entrevistas no final de semana, o pedetista admitiu a pressão da CEI ao lembrar de ofício encaminhado a ele pelos membros da comissão, via Presidência da Câmara. No documento, os vereadores frisam que qualquer decisão do chefe do Executivo antes do encaminhamento do relatório pode resultar em processo por crime de responsabilidade. O relatório final de cinco meses de investigação será entregue hoje, às 8h30, na Presidência da Casa.
O presidente da CMTU afirmou ontem à FOLHA que a pressão vem pelo lado grevista - referência ao Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário (Sinttrol), que suspendeu a paralisação ontem e hoje alegando pedido pessoal de Barbosa e do Ministério Público do Trabalho (MPT), onde hoje, às 10 horas, acontece uma reunião para definir o percentual de linhas que terão de rodar, em caso de paralisação.
Mota admitiu que, assim como os trabalhos da CEI, os estudos técnicos da CMTU também não estavam prontos ontem. ''Estamos apenas aguardando o relatório da Câmara para avaliarmos, fazermos os contrapontos e darmos os encaminhamentos necessários.''
Para o presidente da companhia, sob ameaça de greve no sistema já a partir de amanhã, a palavra de ordem é paciência. ''Não custa nada os trabalhadores aguardarem mais um pouco. A pressão por greve é extremamemnte incompatível com o que estamos trabalhando, é até um pouco perigosa. Ainda que fosse dado reajuste e as empresas repassassem isso aos funcionários, só o receberiam no mês que vem'', afirmou Mota.
Indagado se ''a pressão nada interessante'' que ele afirma sentir do sindicato tem mão dupla, Mota contemporizou: ''Não vejo pressão por parte da CEI - o Legislativo faz parte de um poder, é questão de bom senso de ouvi-lo, mesmo porque é parte representativa da cidade. Mas estamos seguros das informações que temos, só precisamos receber a documentação da CEI de forma completa''.
A reportagem indagou Mota sobre os discursos recentes do Sinttrol aliando reajuste salarial a reajuste tarifário. Em visita recente à Câmara, por exemplo, o presidente da entidade, João Batista da Silva, chegou a citar que outras cidades teriam tarifas de R$ 2,50, R$ 2,30, e que informações ''oficiosas, de bastidores'' elevariam a atual tarifa local de R$ 2 para R$ 2,40. Indagado em plenário sobre um ''valor ideal'' para o preço em Londrina, Silva chegou a afirmar que seria ''aquele que contemplasse os 10% reivindicados pela categoria'' - menção aos 6% de inflação anual e 4% de ganho real. Na cédula da votação que definiu semana passada a greve, as opções eram: ''1- Sou contra a greve. Fico sem aumento'' e ''2- Sem proposta, aprovo a greve''.
''A negociação do sindicato com as empresas não tem nada a ver com a tarifa; uma coisa não está ligada a outra. Mesmo porque a folha de pagamento é parte da composição planilha - se as empresas resolver dar reajuste, é problema delas'', resumiu Mota.


