Em entrevista coletiva após a operação do Gaeco, o presidente da CMTU, André Nadai, afirmou que determinou a abertura de uma comissão de sindicância - composta por pelo menos um funcionário em cargo comissionado - para apurar as denúncias de cancelamentos de multas. A comissão foi aberta apenas na semana passada, depois que Nadai soube que dois agentes prestaram depoimento ao MP. O promotor Renato de Lima Castro recomendou à CMTU que destitua da comissão uma advogada, que durante a operação de busca e apreensão, se comportou como advogada de um dos investigados, Rogério Duque.
Nadai disse que multas podem ter sido canceladas, mas isentou completamente o alto escalão da companhia. ''Funcionários cancelavam multas de outros funcionários'', declarou, acrescentando que eventuais depoimentos que levem à participação de dirigentes da companhia serão apurados. Porém, mesmo sem a conclusão da sindicância, ele já assegurou a inocência dos diretores. ''Tenho certeza de que todos os diretores que estão aqui não pressionaram os agentes para cancelarem multas.''
Também nesta semana Nadai disse que conversou com a coordenadora do setor de infrações - Maria do Socorro, também investigada pelo Gaeco -, que lhe garantiu que Wilson de Jesus nunca pediu que qualquer multa fosse cancelada. ''A diretora garantiu que o Wilson de Jesus não fez qualquer pedido. Ele tem toda a minha confiança.''
Para Nadai, trata-se apenas de dois funcionários da companhia que cancelavam multas para favorecerem-se reciprocamente e colocou-se à disposição do MP. ''A ideia é que Gaeco e CMTU trabalhem juntos paralelamente neste caso porque as duas instituições têm o mesmo objetivo que é não haver qualquer irregularidade; e se tiver, quem a cometeu, será punido'', afirmou. (L.C.)

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