Clinton pede desculpas no Congresso
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terça-feira, 14 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Mea culpaHillary Clinton cumprimenta ACM: presidente americano usa de diplomacia para evitar atritosO presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, disse ontem que o documento divulgado pela embaixada americana advertindo para a corrução endêmica no Brasil representa um vergonhoso erro de julgamento. Em entrevista coletiva no Palácio da Alvorada, Clinton ressaltou que todas as autoridades do governo rejeitaram aquela afirmação. Clinton disse que só soube do documento após a divulgação. Posso garantir-lhes que nenhum brasileiro poderia ter ficado mais contrariado do que eu fiquei, declarou.
O teor do relatório do Departamento de Comércio norte-americano provocou indignação no governo e na oposição. No Congresso, havia até segunda-feira um clima hostil contra Clinton. Mas o presidente dos Estados Unidos procurou reverter a situação. Logo ao chegar ontem no Congresso, Clinton disse aos parlamentares brasileiros que ficou tão indignado quanto o mais indignado dos cidadãos do País, quando foi informado do teor do documento distribuído pela Embaixada norte-americana, segundo o qual no Brasil, além da corrupção endêmica, a Justiça não anda.
Na defensiva, Clinton acabou ouvindo do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), cobranças sobre as dificuldades de concessão de vistos norte-americanos para os brasileiros. O presidente do Senado disse que o Brasil não pode continuar a ser discriminado, porque outros países da América Latina, como a Argentina, têm facilidades no setor de vistos.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse a Bill Clinton que a prioridade do Brasil é o Mercosul - enquanto os Estados Unidos desejam iniciar já os entendimentos para a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Temer lembrou ainda ao presidente norte-americano que o Brasil está fazendo reformas políticas e econômicas importantes para fortalecer os laços comerciais entre os dois países.
Clinton chegou ao Congresso às 15 horas - meia-hora depois do previsto. Michel Temer calculou que pelo menos 150 parlamentares - 120 deputados e 30 senadores - estavam presentes à recepção ao presidente dos Estados Unidos, sem nenhum clima de hostilidades. Os parlamentares, da maioria governista, cumprimentaram o presidente norte-americano.
O deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ), que antes qualificara de entreguistas os colegas que participassem dos cumprimentos a Clinton, apareceu de máquina fotográfica na mão. Foi o único paparazzi presente ao Salão Negro do Senado, onde ocorreu a reunião de Clinton com os deputados e senadores. Um deputado comentou que Bolsonaro deveria estar ali participando de alguma missão secreta. Ele é capitão da reserva do Exército.
Ao chegar ao Congresso, Clinton quis saber do chefe do cerimonial do Senado, Frederico Arruda, se os deputados e senadores haviam assistido à entrevista coletiva realizada pouco antes, no Palácio da Alvorada. E, neste caso, qual teria sido a reação de senadores e deputados. Antônio Carlos e Michel Temer haviam assistido e elogiaram as respostas de Clinton.
Antes de ir ao Salão Negro o presidente dos Estados Unidos perguntou a Antônio Carlos se poderia cumprimentar os jornalistas. Chegou a dizer algumas palavras em português: Como vai? À pergunta sobre a viagem que está fazendo ao Brasil - e se está se divertindo -, respondeu: Great, great, wonderfull (grande, maravilhosa).
Clinton elogiou os senadores na dedicatória que fez no Livro de Ouro do Senado: Obrigado por sua calorosa hospitalidade e pelo seu trabalho por um futuro melhor para todo o povo do Brasil. O livro de presença foi assinado por 39 senadores e 79 deputados. Ao terminar a conversa com os presidentes da Câmara e do Senado, Clinton foi cumprimentado pelos parlamentares. O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) disse que neste momento viu o desespero nos olhos dos seguranças de Clinton.


