Clinton defende integração hemisférica
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segunda-feira, 13 de outubro de 1997
Paulo Sotero Agência Estado Caracas 
France PresseCom o povoBill Clinton é cumprimentado por populares após depositar flores no Memorial de Bolívar, em Caracas: apelo à integraçãoO presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, invocou ontem, em Caracas, na Venezuela, a visão de Simon Bolívar, de um continente americano unido na paz e na democracia, para reafirmar o compromisso norte-americano com o projeto de integração hemisférica, que lançou na Cúpula de Miami, em dezembro de 1994, junto com os líderes das democracias na América.
Falando para uma platéia de convidados especiais diante do Panteon Nacional, depois de depositar uma enorme coroa de flores na tumba do libertador da Venezuela, Clinton lembrou que Bolívar foi o primeiro a imaginar um hemisfério de democracias unidas por objetivos e valores compartilhados. Num discurso, mais cedo, no palácio presidencial de Miraflores, o líder dos EUA reafirmou o compromisso de seu país com a criação a Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Como transformar o novo sonho bolivariano e a Alca em realidade dependerá, em grande parte, do diálogo que o líder americano terá hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Afetuosamente recebido na Venezuela, Clinton deixou Caracas no início da tarde de ontem rumo ao Brasil, onde chegou no início da noite.
Sem esconder alguma apreensão com o clima pouco amistoso criado para a visita, assessores da Casa Branca disseram ter certeza de que Clinton e a primeira-dama, Hillary, seriam muito bem recebidos por Fernando Henrique e Ruth Cardoso. Eles disseram que o líder americano reiterará ao presidente brasileiro a visão positiva de Washington sobre o Mercosul, depois de ter deixado declarações e gestos de seu governo criar a impressão contrária. Eles indicaram que não se deve esperar progresso significativo nas discussões sobre o contecioso comercial bilateral entre o Brasil e os EUA ou as visões divergentes dos governos dos dois países quanto ao ritmo e formato das negociações para a criação da Alca.
France PresseClinton se despede do venezuelano Rafael Caldera: cooperaçãoA enorme dificuldade que o líder americano enfrenta para obter do Congreso de seu país o mandato para entrar com credibilidade na negociação da Alca reduziu seu apetite para falar no assunto na primeira viagem à América do Sul.
O presidente Bill Clinton entregará hoje ao presidente Fernando Henrique Cardoso um documento no qual propõe linhas de ação para uma nova cooperação multilateral no combate ao narcotráfico. A proposta foi apresentada por Clinton ao presidente da Venezuela, Rafael Caldeira, e será levada também a Carlos Menem, da Argentina, para onde o líder americano segue na quarta-feira. O coordenador da política anti-drogas da Casa Branca, Barry McCaffrey, levará o documento aos presidentes da Bolívia e da Colômbia na próxima semana. A idéia, informou McCaffrey, é discutir como trabalhar em parceria na questão das drogas e levar o assunto à Cúpula de Santigo, em abril de 98.
Em Caracas, Clinton deu um primeiro passo na busca de uma maior coordenação hemisférica no combate ao narcotráfico. Os governos da Venezuela e dos EUA divulgaram uma declaração de aliança contra as drogas prevendo a intensificação dos esforços conjuntos em várias áreas, do intercâmbio de informações das polícias ao reforço dos controles contra a lavagem de dinheiro do tráfico. No quadro de seu novo compromisso de cooperação na política anti-drogas, os EUA firmaram ontem com a Venezuela um Acordo de Assistência Legal Mútua igual ao que assinarão na quarta-feira com o Brasil.


