Clima esquenta na campanha do PR
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de setembro de 2006
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
Em linha semelhante à do PSDB, que essa semana intensificou os ataques à campanha petista pela reeleição, a campanha no Paraná envolvendo o senador Osmar Dias (PDT) e o governador Roberto Requião (PMDB) promete uma onda de ataques e contra-ataques nos programas eleitorais que restam até o primeiro turno (1º de outubro).
Os candidatos cumpriram agenda ontem em Londrina. Em carreata desde a chegada, de manhã, ao aeroporto, Dias participou de um encontro na Sociedade Rural do Paraná (SRP) com lideranças comunitárias de Londrina e região, além de membros da SRP e do agronegócio. Em cerca de uma hora, respondeu perguntas sobre o plano de governo para as mais diversas áreas e retornou em carreata, dessa vez pelo Centro. Pouco antes da sabatina, entretanto, o candidato aproveitou a entrevista coletiva para dar início aos ataques que devem pontuar os programas contra o peemedebista.
Dentro do tema, Dias declarou que pelas próximas edições em rádio e TV, vai contra-atacar as críticas recebidas nos últimos dias ''a fim de proteger a honra''. A referência, ainda que indireta, está relacionada à troca de acusações entre ele e Requião, desde o debate do último dia 28, na TV Bandeirantes, e que acabou gerando medidas judiciais de ambos os lados.
No foco da discussão está uma propriedade do senador no Tocantins, cujo valor pago foi colocado sob suspeita pelo peemedebista, que o acusa de crime contra a ordem tributária e eventual ato de improbidade administrativa. O candidato do PDT devolveu com a promessa de uma queixa-crime por calúnia e difamação.
''Recebi ataques de alguns 'laranjas' que estão a serviço do candidato oficial, e dele mesmo, que tem mais de 380 ações na Justiça por calúnia. Não seria eu, então, que ficaria livre'', ironizou, para emendar: ''Claro que vou contra-atacar isso''.
Requião se reúne com lideranças
Cerca de hora e meia após Osmar Dias deixar o local, foi a vez de a comitiva de Requião chegar à sede da SRP. No Recinto de exposições José Garcia Molina, participou de uma reunião a portas fechadas com liderança sindicais, e, na sequência, de um almoço com representantes evangélicos para exposição do programa de governo.
Indagado sobre as críticas do adversário e sobre a expectativa de o clima esquentar no horário eleitoral, Requião voltou à questão da fazenda. Para isso, lembrou da ação judicial que sua coligação ingressou, esta semana, pedindo investigação sobre o caso. ''Trata-se de uma hipoteca resgatada de R$ 11 milhões e vendida ao senador logo depois por um valor ínfimo . Esse é um problema do Osmar, não meu'', eximiu-se, referindo-se ao valor de R$ 2,5 milhões que o senador afirma te pago pela propriedade.
Agronegócio - Sobre a plataforma de governo para o agronegócio, o pedetista reclamou da administração peemedebista, desta vez na crise a aftosa - antes, criticara investimentos em educação, saúde e educação - e ressalvou que será necessário tempo para restituir a imagem de área livre da doença ante o mercado. Paralelo a isso, porém, ele garantiu a aplicação prática de uma lei estadual que estabelece a distribuição anual de uma tonelada de calcário aos produtores. ''Em parceria com os municípios, queremos trabalhar para que as regiões tenham o equipamento de distribuição do calcário, pois ele importante para aumentar a produtividade do solo. Junto a isso, é necessário também colocar a Emater e o Iapar para trabalhar novas tecnologias e diversificar a atividade no campo, a fim de industrializar a produção e agregar valor ao produto'', finalizou.
Requião, por sua vez, preferiu responder as insinuações com outra: ''Ele que resolva o problema da fazenda dele com a Justiça, e depois, sim, faça crítica ao governo''.
Para o presidente da SRP, Alexandre Lopes Kireeff, as propostas ouvidas pelo setor até agora têm encontrado respaldo nos candidatos ao governo do Estado, sobretudo, pela necessidade em investimentos para sanidade animal. Apesar disso, Kireeff admite ''certo maniqueísmo, e certa superficialidade'', respectivamente, no tratamento dado a assuntos como a febre aftosa erradicada, e as promessas para restaurar a credibilidade perante o mercado. ''Pelo menos, os candidatos parecem conscientes que é preciso investir em equipamento e pessoal'', minimizou.


