O Boeing da FAB (Força Aérea Brasileira) 2401, que trouxe o presidente Fernando Henrique Cardoso a Madri, fez um vôo descrito como de ‘‘velório’’ por dois dos membros da comitiva presidencial. Nem no trecho Brasília-Recife nem no percurso de Recife até a capital espanhola, FHC convidou qualquer um dos ministros ou parlamentares que compõem a comitiva oficial a passar para o compartimento presidencial. Ficou só com a família (a mulher, Ruth, o filho, Paulo Henrique, e as netas gêmeas, Joana e Helena).
Em todas as viagens internacionais anteriores, FHC sempre chamava um ou mais dos acompanhantes para conversar ou até para despachar assuntos mais urgentes, segundo Ana Tavares, sua assessora de imprensa. Ao embarcar na Base Aérea de Brasília, o presidente cumprimentou um a um toda a comitiva, como sempre faz, para lhes desejar boa viagem. Mas estava ainda ‘‘machucado’’ pela morte de Sérgio Motta, como disse José Gregori. Só se descontraiu um pouquinho antes da decolagem, quando um diplomata que fazia o seu primeiro vôo no Boeing presidencial foi olhar o compartimento de FHC.
O presidente brincou: ‘‘Pode olhar, mas olha rápido, que logo vou começar a cobrar’’. Depois, na escala em Recife, houve outro momento de descontração: o presidente mostrou a José Gregori, secretário de Direitos Humanos, a cópia da carta que o papa lhe enviou, elogiando a reforma agrária brasileira. O Boeing tocou o solo do aeroporto de Madri às 13h12 (8h12 em Brasília). Dez minutos depois, FHC desembarcou, de terno escuro, camisa azul. Dona Ruth vestia um poncho marrom sobre o vestido. Parou junto à tribuna em que estavam os jornalistas, para a declaração de praxe sobre sua ‘‘alegria em estar pisando no solo da Espanha, mais uma vez, desta vez em visita oficial’’.
Do aeroporto, a comitiva seguiu direto para o Palácio de El Pardo, num subúrbio a 14 km de Madri, antigo campo de caça real, no qual o rei Carlos 5º mandou erguer uma residência de descanso para a monarquia. O ditador Francisco Franco morou no Palácio e nele morreu, em 1975. Hoje é utilizado para hospedagem de chefes de Estado.
À tarde, FHC e dona Ruth saíram do Palácio em um Rolls Royce, só para voltar em seguida, como manda o protocolo da cerimônia oficial de chegada. FHC e o rei Juan Carlos passaram em revista a tropa da Guarda Real, formada em homenagem. Dona Ruth e a rainha Sofia ficaram de lado, até que o chefe da Guarda pediu permissão para iniciar o desfile. FHC, em espanhol, respondeu: ‘‘Tiene permiso’’. Em seguida, FHC se encontrou com o primeiro-ministro José Maria Aznar.

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