Clima de final de campeonato domina local de manifestações
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quarta-feira, 10 de maio de 2017
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Curitiba - Um clima de final de campeonato pairou sob a capital paranaense durante todo o histórico 10 de maio de 2017, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou o tão aguardado depoimento ao juiz Sérgio Moro, na Justiça Federal do Paraná, por conta das ações da Lava Jato. Um forte esquema de segurança foi montado e, até 19h de ontem, nenhuma grande confusão na cidade foi registrada.
Pelos registros da Polícia Militar (PM) do Paraná, por volta de cinco mil manifestantes estiveram na Praça Santos Andrade, local determinado ao grupo contrário à Lava Jato e a apoiadores de Lula. Na região ao redor do Museu Oscar Niemeyer (MON), local designado ao grupo de apoiadores à Lava Jato ou ao juiz Sérgio Moro, cerca de cem manifestantes foram contabilizados pela PM nos momentos de maior movimento.
"Nós somos o Brasil que trabalha, por isso, não conseguimos vir em grande número. Fora que os recursos do nosso movimento vêm de doações e vendas de camisetas e os bonecos pixulecos", justificou um dos organizadores do Movimento Brasil, Daniel de Almeida, que veio de Ribeirão Preto (SP) para demonstrar apoio à Lava Jato. "Nosso movimento surgiu há quatro anos e combate a corrupção. Sabemos que hoje o Lula não será preso, mas queremos que ele e todos os denunciados paguem pelo que desviaram dos cofre públicos", defendeu. Já o taxista Efigêncio do Rocio Cordeiro, dizia ser um apoiador do juiz. "Eu sou Moro", repetiu algumas vezes, com o boneco do pixuleco, vendido a R$ 20 na esquina em frente ao MON, em punho. Já as camisetas penduradas em varais, tal qual em dia de jogo, estavam saindo por R$ 40.
Logo após o início do depoimento do ex presidente Lula, por volta das 14h30, o reduto dos grupos pró Lava-Jato teve um princípio de confusão motivado pela presença do microempresário André Roberto, que veio de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), registrar para a página no Facebook do Movimento Brasil Bem Maior o comportamento dos dois grupos e foi repudiado com diversos insultos. "Fui chamado de petista e ladrão só porque queria dialogar sobre outros nomes de outros partidos que também estão envolvidos nos desvios", lamentou.
PRESENÇA DE POLÍTICOS
Mobilizados pelas centrais sindicais e a Frente Brasil Popular, os apoiadores do ex-presidente ocuparam a Santos Andrade e seguiram noite adentro acompanhando um desfile de personalidades emblemáticas para o Partido dos Trabalhadores como o vereador paulistano e ex-senador Eduardo Suplicy e a deputada federal e ex-governadorA do Rio de Janeiro Benedita da Silva. Também passaram pelo palco políticos do Paraná como a senadora Gleisi Hoffmann e o deputado federal Zeca Dirceu. O ponto alto foi a chegada dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Lula, que foram ovacionados. O professor de educação física da Colônia Penal e Industrial de Maringá, Adauto da Silva, que reside em Sarandi, além de enfrentar horas de viagem para demonstrar apoio a Lula e ao evento que integra a Jornada de Lutas pela Democracia, suportou por mais de sete horas, com intervalo entre manhã e tarde, um boneco com a imagem do ex-presidente, que pesava aproximadamente 10 quilos. "Tenho um filho de sete anos e me questiono qual país deixarei para ele, se eu não fizer nada para tentar evitar essas mudanças em andamento no Congresso", questionou. "Eu acredito no Lula. Ele fez fez por nós, pobres, mulheres e população negra. Tenho medo de quem tem medo que ele volte, pois são eles que jogam bombas. Passei pelas bombas do 29 de abril, e sei do que estou falando", acrescentou a professora de Curitiba, Angela Sarneski.


