O grande expediente da Câmara de Vereadores de Londrina ontem não diferia muito da final de uma partida de futebol: comemoração e agradecimentos dos vencedores à torcida ou melhor, ao eleitorado , umas palavras de solidariedade aos derrotados e o tradicional tapinha nas costas de quem passou para a próxima fase; no caso, a 14 Legislatura. Alguns dos eleitos marcaram presença no Plenário, caso de Osvaldo Bergamim (PDMB).
O mote foi dado pelo presidente da Casa, vereador Orlando Bonilha (PL). Reeleito com 4.462 votos para seu terceiro mandato, o parlamentar usou uma comparação pouco comum para confortar os colegas que não conseguiram manter suas vagas a partir de 2005. ''Parabéns, vocês foram os heróis nessa campanha'', disse, para emendar em seguida mais uma crítica à redução de 21 para 18 cadeiras no Legislativo londrinense, posição adotada por ele desde a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). ''Quanto mais vereadores, mais democracia'', acredita. Bonilha justificou o ''heroísmo'' de quem perdeu o pleito: ''Porque tiveram a coragem de disputar, mesmo sabendo que poderiam não conseguir''.
O vereador informou que o trabalho de articulação para a formação das comissões deve começar só depois do segundo turno das eleições, marcado para o próximo dia 31. ''Será também quando iniciaremos as conversas para eleger o presidente'', comentou.
Entre os presentes à sessão de ontem, poucas opiniões divergiram quanto à renovação de um terço definida nas urnas domingo. Para Bonilha, ela é reflexo de ''um mandato sem escândalos, com bons legisladores''. Na opinião de Rubens Canizares (PHS), que não conseguiu a reeleição, a mudança é necessária até para representar mais fielmente o que ele chama de ''retrato da sociedade''. ''Temos hoje aqui desde doutores até gente que não consegue conjugar um verbo'', ironizou. ''Não existe uma sociedade homogênea, e a Câmara tem que transmitir isso também'', avaliou. Também fora da Câmara ano que vem, o petista Maurício Barros acredita que os seis novos que se integrarão aos 12 reeleitos precisam ser cobrados pelos eleitores. ''Que o eleitor não separe renovação de qualidade no serviço'', avisou.
Para o presidente do PSDB em Londrina, Tercílio Turini, mantido com 6.342 votos, as novas caras seriam mais numerosas se os partidos de menor expressão tivessem 'abusado' mais das coligações. ''Certamente seria um panorama diferente. É só ver o caso do padre Manuel Joaquim (PPS), que não conseguiu mesmo sendo um dos mais votados'', comparou, referindo-se ao quociente eleitoral que impossibilitou a eleição do padre pela coligação PDT/PPS, apesar dos 3.295 votos recebidos.
O tucano apostou que aumentarão as dificuldades para se definir o próximo presidente do Legislativo, dia 1º de janeiro. ''Porque não haverá uma hegemonia de forças, agora muito mais heterogêneas'', considerou.

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