O clima nas repartições dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário era de ansiedade ontem pela manhã, horas antes do jogo de estréia da seleção brasileira. Na maior parte dos casos, o expediente começou às 8 da manhã e se estendeu até as 15h, mas as horas custaram a passar na opinião de servidores e autoridades.
Às 11 da manhã, o presidente da Câmara Municipal, Orlando Bonilha (PL), assistia, em seu gabinete, à partida entre Coréia e Togo, na companhia do vereador Sidney de Souza (PTB). Um pouco surpreso ao receber a reportagem, Bonilha contou que ''acompanha todos os jogos''. ''Acho que não perdi nenhum até agora. Não dá para ver 100%, mas a gente dá um jeito de assistir.''
Questionado sobre a expectativa para o jogo da seleção, o presidente da Câmara disse que esperava um 3 a 0 na estréia. ''O Brasil tem que ter consciência de jogar contra todo mundo. É o mundo contra nós'', analisou.
''É pênalti, é pênalti'', interrompe o vereador Sidney de Souza enquanto acompanha, animado, à partida pela TV. ''A gente é brasileiro e também gosta de futebol'', justificou. ''Só não jogo muito porque as pernas não aguentam mais.''
O prédio da prefeitura era o mais enfeitado com faixas, bandeiras, bexigas e outros objetos decorativos alusivos à Copa do Mundo. Os custos foram bancados pelos próprios servidores numa ''vaquinha''.
No gabinete do prefeito, a informação antes do meio-dia era de que Nedson Micheleti (PT) não estava e não voltaria mais. ''Ele veio cedinho e saiu para uma solenidade. Agora, está em reunião fora e não retorna à prefeitura'', informou um assessor, sem detalhar a agenda de Nedson entre 11h e 15h. Ainda de acordo com a assessoria, o prefeito iria assistir o jogo com os pais e os filhos, ou com a família do secretário de Fazenda, Wilson Sella, um de seus auxiliares com laços mais antigos de amizade.
O expediente foi mais rigoroso no Fórum, onde o atendimento ao público também terminou às 15h, com exceção das audiências previamente marcadas para depois desse horário, que foram realizadas normalmente.
''O presidente do Tribunal de Justiça tomou a decisão de antecipar o horário, mas manteve o expediente completo. Não há ganho de prazo para as partes como acontece quando a gente fecha excepcionalmente, por falta de luz ou outro motivo'', explicou o juiz da 1 Vara Cível, Mauro Ticianeli. Com a última audiência marcada para as 14h, Ticianeli tinha boas chances de assistir o jogo em casa com a família, mas não pareceu muito confiante em uma vitória brasileira. ''Se ganhar de meio a zero já está bom'', comentou.
O escrivão da 4 Vara Criminal, Reginaldo Arcebispo de Sá, era um dos servidores mais desolados do Fórum, já que iria auxiliar uma audiência de interrogatório marcada para as 16h momento em que a bola começaria a rolar. ''Sou apaixonado por futebol, estou agoniado aqui. Sorte que só vai ter uma testemunha, então a esperança é chegar em casa ainda no primeiro tempo''.
O expediente adiantado nos três poderes deverá se repetir no próximo dia 22, quando o Brasil jogará sua última partida na primeira fase da Copa do Mundo.

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