O clima de campanha política permeou a visita do governador Roberto Requião (PMDB) ao Norte do Paraná no final da manhã de ontem. Nenhum candidato apareceu, e seus nomes também não foram citados, em respeito à legislação eleitoral. Mas os discursos enaltecendo os investimentos do governo estadual na região foram repetidos por várias autoridades, e até de forma exaltada em alguns momentos.
Em Londrina, o governador assinou a ordem de serviço para operacionalização dos dois poços do sistema Guarani/Norte, que terá um investimento inicial de R$ 7,6 milhões, dos quais 10% são provenientes do governo do Estado e o restante do governo federal, através do Programa FGTS da Caixa Econômica Federal. Segundo o presidente da Sanepar, Stênio Jacob, a interligação dos poços vai proporcionar um incremento de 200 litros de água por segundo no abastecimento. ''Além disso, uma obra complementar vai injetar mais R$ 2,5 milhões na obra. De 2003 para cá, a gestão do atual governador está investindo algo em torno de R$ 126 milhões somente na Sanepar em Londrina'', enalteceu Jacob.
''Jamais um governador fez por Londrina o que estamos fazendo'', anunciou Requião à imprensa ao chegar à Estação de Tratamento de Água da Sanepar com uma hora de atraso, e depois de elencar uma série de obras recentes na cidade, como as reformas dos hospitais da Zona Norte, Zona Sul e a construção do Jardim Botânico. Declarações essas que seriam repetidas posteriormente nos discursos oficiais em Londrina e Cambé.
Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Londrina, o prefeito Nedson Micheleti (PT), teve um ''contratempo de última hora'' e não pôde comparecer ao evento. Representando Executivo municipal, o chefe de gabinete Rodne de Lima reafirmou a posição política do município de manter a concessão do sistema de abastecimento de água da cidade a cargo da Sanepar. Em seu discurso, Requião ironizou a antiga polêmica em relação à concessão da água levantada pela Câmara de Vereadores. ''Houve uma resistência por parte da Câmara de Londrina, e logo depois todo mundo foi preso'', comentou, se referindo ao escândalo de corrupção envolvendo ?? vereadores. Aproveitando a idéia do projeto de instalação de um presídio industrial no município, Requião ainda sugeriu que políticos corruptos sejam encaminhados para lá. ''Só prender não adianta, no presídio industrial eles terão que trabalhar. Espero de coração que os políticos corruptos, após seis ou sete anos trabalhando nesse presídio, saiam recuperados'', ironizou.
Já em Cambé, Requião e o secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin, participaram da inauguração da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa da cidade. A unidade, com dez leitos e uma área de 260 metros quadrados, foi construída com recursos do Ministério da Saúde. O governo do Estado doou os equipamentos e se comprometeu a custear as despesas até o credenciamento da UTI.
''Acabou aquela história de que é só Curitiba, que o governador passava pelo Norte de helicóptero e olhava de lá de cima. Nunca antes do Requião investiu-se tanto nesta região'', declarou o secretário de Saúde.

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