Brasília - A comemoração do Sete de Setembro na Esplanada dos Ministérios, última do governo Lula, foi tomada pelo clima de campanha eleitoral.

Brigas entre militantes foram registradas pelo Corpo de Bombeiros, que chegou a encaminhar uma vítima de espancamento para o Hospital de Base de Brasília.

''Você tem candidato a deputado distrital?'' e ''Quer um adesivo do partido?'' eram frases que tomavam de surpresa e às vezes desagradavam os presentes.

''A televisão disse para trazermos a família. De surpresa, vejo uma barreira (de proteção, colocada pela segurança) que me separa do desfile e esse clima eleitoral, que não tem nada a ver'', reclamou a comerciante Inês Ribeiro, 32, que foi ao desfile com o marido e o filho.

A campanha promovia, principalmente, políticos locais, que se aproveitaram da aglomeração de 40 mil pessoas, segundo cálculo da Polícia Militar, para difundir promessas, nome e número.

Com frequência, a campanha distrital abraçava algum candidato à Presidência.

O clima eleitoral foi limado da área onde ocorreu o desfile -e onde ficou o presidente Lula-, que estava cercada por uma mureta de metal e onde só eram permitidas bandeiras do Brasil.

Várias pessoas reclamaram da mureta e da limitação de acesso à via do desfile. Segundo a polícia, a limitação foi feita para evitar sobrepeso nas arquibancadas.

Com Lula estavam algumas autoridades, entre elas o vice na chapa de Dilma Rousseff (PT) e presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB). Algumas ausências foram notadas, como a do presidente do Senado, José Sarney (PMDB), e do vice-presidente, José Alencar.

Segundo a assessoria da Presidência, Alencar não se sentiu disposto e ficou descansando. A assessoria de Alencar, entretanto, negou a indisposição.

Outra ausência notada foi a do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que passou os últimos dias dando explicações sobre a violação dos sigilos fiscais dos tucanos em delegacias da Receita Federal.

Desfile tranquilo
O desfile, que tinha como tema ''Viva o Brasil que Existe em Cada um de Nós'', transcorreu normalmente. De acordo com a Secretaria de Comunicação da Presidência, a montagem da infraestrutura para o desfile custou R$ 999,7 mil.

Cerca de 3.500 civis e militares participaram da marcha. Chamou a atenção a presença de muitas crianças em carros da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, sem cinto de segurança ou fora da cadeirinha obrigatória para quem tem até 7 anos e meio de idade.

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