São Paulo A cientista política Lúcia Hippólito atribuiu ontem ao clima de campanha em pleno vapor a melhora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), divulgada na semana passada. ''O presidente teve uma pequena recuperação muito como efeito dessa campanha disfarçada de anticampanha'', disse. Para Lúcia, Lula faz bem em não assumir que tentará se reeleger. ''Ele pode continuar no palanque sem ser perseguido nem pela oposição nem pela Justiça Eleitoral'', afirmou.
Ela afirmou achar, porém, que ainda é cedo para traçar cenários tendo em mãos apenas um levantamento eleitoral e levando-se em conta a não-divulgação do segundo turno pelo Ibope. ''Essa pesquisa deixou problemas extremamente complicados. O Ibope é um instituto extremamente sério, que trabalha com a maior seriedade, mas ficou muito estranho a divulgação de uma pesquisa que mostra, claramente, que vai haver o segundo turno e não ser publicada a simulação de segundo turno. Fico um pouco estranho. Você não sabe como entender essa pesquisa (...) Fica difícil fazer uma observação séria sobre uma pesquisa única e que teve esse problema'', disse.
Para Lúcia, a campanha deste ano será ''violenta'', principalmente, se o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), que segundo ela, é um ''político de briga'', entrar mesmo na disputa. Lúcia disse que Serra está numa situação complicada. ''Ele tem de primeiro fechar o partido atrás de si. O prefeito está meio emparedado. Ele não pode sair ainda (...) Ele tem a desvantagem de ter de convencer (os eleitores) de que não está abandonando São Paulo'', afirmou.
A cientista política mostrou-se ainda cética em relação à candidatura do secretário de Governo e Coordenação do Estado do Rio, Anthony Garotinho, a presidente. ''Por enquanto, não acredito ainda em fortalecimento de Garotinho'', declarou.
Sobre a verticalização das alianças para campanha eleitoral, Lúcia disse que a decisão é da Justiça Eleitoral. ''Se for aprovada por emenda constitucional, você vai criar um nó institucional. Mas, se for a Justiça Eleitoral a decidir, fica mais simples. Se as bancadas do Congresso não entrarem em entendimento, nós vamos esperar a Justiça Eleitoral decidir lá para o final de fevereiro'', afirmou.

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