Cláudio Humberto


De Brasília



Cláudio Humberto Rosa e Silva
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‘‘Viveremos um clima de guerra’’
(Do líder do PT, Aloízio Mercadante, sobre a possibilidade de o salário mínimo não ser votado esta semana, na Câmara)



Papa-tudo mesmo
Sai na semana que vem o edital do leilão do Hotel Nacional, que já foi um símbolo da vida carioca mas parou nas mãos do empresário Artur Falk (conhecido como ‘‘Desfalk’’). O conselho diretor da Susepe decidiu autorizar a Interunion Capitalização S/A, de Falk, a promover o leilão, para pagamento à vista do Hotel Nacional. O preço mínimo é de R$ 55.138.509,57, deduzidos os débitos de R$ 61.661 com a Springer Carrier e R$ 99.829 com a Fujitec Brasil Ltda.
O dinheiro, segundo a Susepe, será aplicado em títulos financeiros em benefícios da massa falida. Mas a Susepe não respondeu a esta coluna quando serão pagos os direitos trabalhistas dos ex-funcionários.
O gato subiu no telhado
É hoje o primeiro dia de expediente do ministro de Esportes e Turismo, Rafael Greca, depois da festança dos 500 anos.
Recomenda-se, por via das dúvidas, ir arrumando as gavetas.
Bola cheia
Assim como torcedores do mundo inteiro manifestam carinho pelo craque Ronaldinho, os maranhenses cobrem de afeto a sua ponta-de-lança, a governadora Roseana Sarney, que também operou o joelho.
Na sua casa, em São Luís, já não há mais espaço para tantas flores que lhe foram enviadas com votos de pronto restabelecimento
Caça ao mínimo
Para conseguir aprovar o salário mínimo de R$ 151, o governo está correndo atrás de outro mínimo: 292 deputados que tenham a coragem de votar a favor da sua proposta.
Livre iniciativa
O Tocantins é mesmo o Estado da livre iniciativa, como proclama seu imperador, ou melhor, o governador Siqueira Campos.
Um empresário que apareceu por lá, Jorge Queirosa, tão amigo de Campos que virou sócio da empresa proprietária da hidrelétrica do Estado, é dono de um dos brinquedos mais caros e ambicionados do País: um luxuoso jatinho Citation 10, que vale cerca de US$ 18 milhões. É dele também um turboélice King Air, de US$ 2,5 milhões.
Soltando a franga
Só faltava essa. Celso Pitta agora é acusado de desviar R$ 4 milhões repassados pelo MEC para a merenda escolar, em São Paulo.
É a chance que ele tem para vingar-se da ex-mulher Nicéa. Poderá acusá-la de usar toda a dinheirama na compra de frangos.
Frangos made in Maluf, é claro.
Tango Uno, dois Foch
O professor Arael Costa, da Universidade Federal da Paraíba, faz uma ponderação sobre a compra do porta-aviões francês de segunda mão, o Foch, para a Marinha do Brasil. Ele considera justificável a aquisição de equipamentos de defesa para o País; injustificável, diz ele, e com razão, é comprar o Boeing Tango Uno, do governo da Argentina, para substituir o ‘‘Sucatão’’, nos deslocamentos do presidente Fernando Henrique.
O preço da banheira voadora equivale a dois Foch: US$ 60 milhões.
A chances de Requião
O senador Roberto Requião ocupa um confortável segundo lugar na corrida para a Prefeitura de Curitiba. É o único oposicionista com chances de enfrentar o favorito Cassio Taniguchi, candidato à reeleição.
A pressão para que se candidate vem dos aliados que engordam as taxas de desemprego desde que Requião deixou o governo, em 1994. O senador resiste e quer lançar o irmão Maurício. O vice pode ser o ex-vereador Marcelo Almeida, filho do empreiteiro Cecílio do Rego Almeida e ex-aliado do grupo de Jaime Lerner.
Exílio de ouro
O ex-presidente do Paraguai, Raúl Cubas Grau, docemente asilado no Brasil por FHC, tem uma fortuna para Paulo Maluf nenhum botar defeito.
Segundo o recém-lançado ‘‘Dossiê Paraguai: os donos das grandes fortunas’’, Cubas tem US$ 500 mil e está lá pelo final da lista, depois de seu amigo golpista Lino Oviedo, que possui US$ 1 milhão. Outro exilado no Brasil, o ditador Alfredo Stroessner e o filho Gustavo chegam perto, com US$ 900 mil. O homem mais rico do Paraguai é o ex-presidente Juan Carlos Wasmosy, que acumulou US$ 1,4 milhão com suas empreiteiras (envolvidas na Itaipu Binacional) e um gigantesco grupo de comunicação.
Vizinhos e compadres
Se no minucioso livro do jornalista e escritor paraguaio Anibal Miranda, as fortunas parecem modestas diante de certos potentados brasileiros, no quesito distribuição de renda estamos quase empatados: os 10% mais pobres detêm apenas 0,7% do capital. A presidência da República foi a campeã da roubalheira dos cofres públicos nos anos 70: US$ 643 milhões, enquanto o Banco Central abocanhou quase tanto quanto a Itaipu Binacional, cerca de US$ 2 milhões.
E no Brasil, quem se habilita a checar os números?
Preservação da água
Na esteira do debate mundial sobre as reservas de água no Planeta, o Centro de Estudos Judiciários promove o 1º Seminário Internacional Água, bem mais precioso do milênio. Sob a direção do ministro Hélio Mosimann, coordenador-geral da Justiça Federal, o evento pretende discutir os aspectos jurídicos que evolvem o problema da preservação dos recursos hídricos, no contexto de conservação do meio ambiente brasileiro. O seminário será realizado entre os dias 17 e 19 de maio.
Uma mulher no STF
Uma mulher ambiciona – com chances – ocupar a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal.
Trata-se da desembargadora Eliane Harhzeim Macedo, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que tem um currículo impecável: é mestre em Direito, professora de Processo Civil da Unisinos e da Escola da Magistratura do TRF e autora, entre outros, do livro ‘‘Ação Monitória’’.
PODER SEM PUDOR
Cafezinho abusado
Jornalista tão combativo quanto satírico, Aparício Torelli, o ‘‘Barão de Itarar钒, foi preso em 1935 e levado à presença do juiz Castro Nunes.
– A que o senhor atribui a sua prisão, seu Aparício?
– Tenho pensado muito, excelência, e só posso atribuí-la ao cafezinho.
– Como assim? – o juiz ficou intrigado.
– Vou explicar. Eu estava sentado no Café Belas Artes, na Avenida Barão do Rio Branco, tomando o meu oitavo cafezinho e pensando em minha mãe, que sempre me advertiu contra o excessivo consumo de café. Nesse momento, chegaram os policiais e me deram voz de prisão. Só pode ser um castigo pelo abuso do cafezinho.

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