Cláudio Humberto (De Brasília)
Cláudio Humberto
De Brasília
Cláudio Humberto Rosa e Silva
E-mail: [email protected]
www.claudiohumberto.com.br
Passando a ferro
Ele tem essa visão porque só tem lidado com Malan e seus auxiliares
(De ACM sobre Stanley Fischer, do FMI, que chamou o Congresso de populista)
O governo não parece satisfeito com sua implacável frigideira. Mal se concluía a fritura do ex-ministro José Carlos Dias, a Subsecretaria de Inteligência da Presidência da República realizava uma compra curiosa: cinco ferros de passar roupa marca Black&Decker, adquiridos à empresa Útil Utilidades para o Lar Ltda, segundo comprovante do Siafi em poder desta coluna (veja em Dossiê, do site www.claudiohumberto.com.br).
O que os arapongas vão fazer com os ferros pagos pelo contribuinte, nem o finado torturador Sérgio Fleury seria capaz de imaginar.
Barriga cheia
O empresário Airton Daré, de Bauru (SP), que anda falando mal do ex-aliado governador do Paraná, Jaime Lerner, reclama de barriga cheia.
Ele é pai de Airton Daré Jr, piloto que em 99 disputou a F-Indy Light sob o generoso patrocínio do Banestado, mesmo sendo do Estado que já deu ao País pilotos como Ricardo Zonta, Maurício Gugelmin, Raul Boesel, Tarso Marques, Augusto Jr etc. Craques, aliás, que não têm merecido idêntico apoio do banco estatal.
Pensando bem...
...o ministro da Justiça de FHC, de fato, é um general.
Nem o temido ditador Emílio Garrastazzu Médici foi tão longe.
Ciro, Justus & Cia.
Uma transação milionária recebe os arremates finais esta semana, em Brasília, unindo o publicitário Roberto Justus (ex-Adriane Galisteu), atual representante da multinacional de propaganda NewCommBates, com o cunhado do presidenciável Ciro Gomes, Einhard Jácome, da Trade Mark. O acordo pode ser anunciado até o final do mês e Justus está convencido de que pode vir a chefiar a campanha do candidato do PPS.
Só falta combinar com Ciro Gomes.
Erário generoso
Está na mira dos tucanos a revista Caros Amigos, que publicou reportagem sobre o silêncio da imprensa em torno de Tomás, o filho de 9 anos de FHC com a jornalista Míriam Dutra, da TV Globo. Vereadores do PSDB de Belém (PA) querem investigar o que leva a prefeitura daquela capital, controlada pelo PT, a gastar uma fortuna com publicidade institucional na revista. Eles suspeitam que o contribuinte de Belém paga um preço especialmente elevado, acima do mercado.
Duas madames
Madame, ao dizer que não é Hillary Clinton, mostrou que não é mesmo. Apesar de ambas serem mulheres independentes e com carreiras próprias, a diferença entre elas está, inclusive, na conhecida piada do posto de gasolina. Hillary mostrou a Bill um frentista, seu antigo namorado, e disse: Se eu tivesse casado com ele, hoje ele seria o presidente dos Estados Unidos. A madame de lá já não dá mais demonstrações de ciúmes, só de apuradíssimo feeling político.
Pistolagem intelectual
O Palácio do Planalto reorganizou o esquema de envio de cartas à imprensa elogiando o governo e atacando os seus críticos. A idéia é ocupar o espaço precioso reservado, na imprensa, à opinião dos leitores.
A maior parte do trabalho desses pistoleiros intelectuais é via Internet, através de e-mail apócrifos, com nomes falsos, em provedores gratuitos, embora alguns militantes tucanos (sobretudo funcionários do governo) tenham autorizado o uso de suas identidades, para atender exigências de publicações mais criteriosas no acolhimento desse tipo de mensagem.
QG reaberto
O antigo QG de Calim Eid, fiel escudeiro de Paulo Maluf até sua morte (em desastre na Rodovia Ayrton Senna, há meses), voltou a funcionar a todo vapor. No comando, agora, está Jesse Ribeiro, ex-braço direito de Calim e diretor da Cohab de São Paulo.
O QG fica num andar de um prédio discreto na Av. Faria Lima e foi lá que Jesse fez sua última reunião com o pianista João Carlos Martins, antes de ele viajar para Miami, meio às pressas.
Se a moda pega...
Finalmente uma CPI dos Concursos Públicos. A OAB do Mato Grosso do Sul quer uma CPI investigando o TC do Estado, onde só entra parente, agregado e apaniguado dos conselheiros e altos funcionários. No último concurso, em fevereiro, mais da metade das 80 vagas foi preenchida por sobrenomes conhecidos na Casa. O presidente do TC, Osmar Dutra, está mais mudo que um exemplar do Código de Processo Penal.
Herança colonial
Por falar em Código Penal, se esmiuçarem a vida pregressa de alguns ilustres conselheiros dos TCs em todo o País, premiados para o cargo sem concurso, vai faltar vaga no Carandiru.
Festa secreta
Quem quiser saber (vá lá que seja) o que está sendo feito com os R$ 45 milhões (vá lá que seja) despejados na festa oficial dos 500 anos do Descobrimento, terá que ligar para o Ministério do Esporte e Turismo, em Brasília. A programação será enviada por fax, porque o site das comemorações está sendo feito, segundo sua assessoria. Também está desativado o link do ministério na página oficial do governo.
Greca não tem um ministério, tem um mistério.
Briga selvagem
Não convidem para o mesmo tucupi o governador do Amapá, João Alberto Capiberibe (PSB), e o controvertido senador Gilvam Borges (PMDB). Ex-aliados, eles deflagraram uma selvageria política de fazer inveja a ACM e Jader Barbalho. Gilvam publicou uma nota nos jornais de Macapá em que não poupa nenhum tipo de ataque pessoal ou político.
Capi, como o governador gosta de ser chamado, responde com a distribuição de adesivos que anunciam: Minha mãe pegou malária. Por culpa do senador Gilvan. Corrupção mata! É uma alusão à gestão dos irmãos Borges à frente da Fundação Nacional de Saúde, no Estado.
Mal da selva
Selvagerias à parte, a malária está mesmo campeando no Macapá.
Até a primeira-dama do Estado, Janete Capiberibe, já experimentou algumas cruzes de contaminação.
PODER SEM PUDOR
O bom exílio
Paraibano de Itabaiana, Abelardo Jurema teve uma vida política tão rica quanto estonteante. Foi eleito deputado federal em 1958 e 1962 e depois nomeado ministro da Justiça do governo João Goulart. Com o golpe militar de 64, ele acabaria no exílio, no Peru, onde sobrevivia vendendo charutos. Certa vez ele recebeu a visita do filho, João Luiz, que era menor e vivia no Brasil, e os dois passaram uma boa temporada juntos.
Eu queria que esse exílio nunca mais acabasse disse o garoto, para a surpresa do ex-ministro, que mal aguentava a dor da distância.
Diante do ar de perplexidade do pai, João logo explicou:
No Brasil, nunca passei um dia inteiro com o senhor.
E-mail: [email protected]
www.claudiohumberto.com.br





