De Brasília
‘‘Em Nova York, você anda nas ruas com medo de assalto e de estupro’’
(Do prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, demonstrando que não perdeu só peso, mas também neurônios)

Sequestro de araque
Tem toda a pinta de armação o sequestro de um servidor do Incra, promovido há seis dias pelo MST e assentados do Projeto São Vicente, em Flores de Goiás (GO). A suposta vítima é candidato a vereador do município e o suposto sequestrador quer ser prefeito.
Ambos são do PT e buscam notoriedade, segundo suspeitam a Polícia Federal e a subprocuradoria de Direitos Humanos do Distrito Federal.
A PF vai acabar a brincadeira nesta quinta. Por bem ou por mal.

Doador arrependido
O empresário Airton Daré, de Bauru (SP), guarda em local seguro cópias dos cheques que doou à campanha do governador do Paraná, Jaime Lerner, no total superior a R$ 1 milhão. Irritado, está disposto a revelá-los, bem como os respectivos endossos, segundo ele falsos, para que o dinheiro chegasse ao destino em espécie. A doação – que não consta da prestação de contas da campanha – decorre das relações de Daré com o ex-presidente do Banestado, seu amigo Neco Garcia.

Cheques no ventilador
Ligado ao ex-deputado Euclides Scalco, Airton Daré é o maior fornecedor de carros alugados para Furnas e grande investidor no Banestado, o banco estatal do Paraná. Trombou com o governo Lerner ao reivindicar R$ 1,9 milhão em diferenças dos juros de aplicações. A área técnica do banco desaconselhou e o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, proibiu a devolução, mas Neco Garcia a pagou. Foi demitido. O caso parou na Justiça e Daré agora ameaça jogar os cheques no ventilador.

C’est si BO
Está queimando óleo, o chassi está corrido, tem vários pontos de ferrugem e precisa abrir o motor. Nada que uma boa ‘‘guaribada’’ na Retífica FHC não resolva. Por US$ 30 milhões o Brasil leva o porta-aviões francês Foch. E não se fala mais nisso.

Fumacê
O Foch chegou e partiu numa verdadeira cortina de fumaça para encobrir a razão da visita.

Little Kid
Ironia do destino: em vez de governador do Rio, Garotinho deveria ser prefeito de Londres.
Lá, agora, a polícia vai perseguir bandidos de patinete.

Não é mesmo
A discussão acalorada foi ouvida por funcionários da comitiva presidencial, em recente viagem à Costa Rica. A certa altura, indignada com os apelos para manter as aparências, madame bateu duro:
– Eu não sou Hillary Clinton!
O cessar-fogo tem data marcada para terminar: o último dia de governo.

Lobby aos sábados
F. Lamas, o lobista, resolveu sair das sombras e exibir a pança, sua cara sebosa, os cabelos em desalinho, o desapego a gravatas e a permanente expressão de fastio desenhada no rosto imberbe.
Ele não acha nada de mais espalhar que é recebido por FHC no Palácio da Alvorada nos horários mais esquisitos, sábados à tarde por exemplo, para escapar à curiosidade de repórteres enxeridos.
Se Lamas abre a boca, a casa cai.

Manobra abortada
O PMDB abortou uma manobra que garantiria uma saída honrosa para o PFL, na questão do salário mínimo. Os pefelistas propuseram um mínimo de US$ 100, mas depois recuaram. Na noite desta terça, enquanto as atenções se concentravam na crise no Ministério da Justiça, eles quase impuseram à Comissão Especial, na Câmara, uma proposta jogando o problema para o futuro, restabelecendo o principio da indexação, pelo INPC, e antecipando de maio para março de 2001 o próximo reajuste. Gedel Vieira Lima (BA), líder do PMDB, descobriu a manobra e a vetou.

Ele, de novo
O publicitário Gilberto Mansur, ex-Telesp, aquele que se jacta de possuir mais de 200 apartamentos em São Paulo e de ser íntimo da área de publicidade do governo federal, aliou-se a uma produtora de Brasília para pressionar o setor de comunicação do governo do Distrito Federal, na tentativa de faturar míseros milhões com projetos megalomaníacos.

Índia poderosa
Os funcionários da Funai estão na maior expectativa. Eles acham que a maior homenagem da Semana do Índio deve ser a Azelene Inácio, índia kaingang que é hoje a mais influente assessora do presidente da fundação, Carlos Marés – que não só a promoveu vários níveis acima do seu DAS original, como a inclui na maioria das viagens a serviço.

Bem na foto
O trabalho do deputado Armando Monteiro Neto (PMDB-PE), na relatoria da Comissão Especial do Salário Mínimo, encheu as vistas dos colegas de partido. Eles ficaram impressionados com sua firmeza, resistindo às pressões por um valor mais decente e recusando a chance de fazer demagogia. O reconhecimento é do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, um dos principais articuladores do PMDB:
– Armando é competente e muito corajoso. Tem futuro em Brasília.

Letra morta
Está com os dias contados um dos mais atrasados dispositivos do Código Civil Brasileiro. Trata-se do inciso IV do artigo 219, datado de 1916, que prevê a anulação do casamento se o marido reclamar que a esposa já não era virgem na noite de núpcias. Flagrantemente inconstitucional, porque não seria aplicável ao homem, e todos são iguais perante a lei, isso certamente caiu em desuso, mas ainda está em vigor. Deve ser sepultado por um projeto do senador tucano José Roberto Arruda (DF).

Foi elegante
O ex-governador Leonel Brizola, que é bom de apelidos, deve ter sido obsequioso ao chamar a vice-governadora do Rio, Benedita da Silva, de ‘‘Rainha de Sabᒒ. Será que ele não queria dizer ‘‘Rainha do Jabᒒ?

Pensando bem...
... governador Garotinho: PT, saudações.

Ainda sem processo
O advogado Antônio Campos, irmão do deputado Eduardo Campos (PSB-PE) e neto do ex-governador Miguel Arraes, confirma que presta assessoramento em diversas questões, inclusive de natureza tributária, ao Sindicato de Postos Revendedores de Combustíveis de Pernambuco, mas não patrocina qualquer ação de ressarcimento de ICMS, até porque isso está na esfera administrativa, no âmbito da secretaria da Fazenda. Ele lembra que foi na gestão de seu irmão na Fazenda que se implantou o regime da substituição tributária, fazendo cessar a sonegação no setor.


PODER SEM PUDOR
Mão machista
Em entrevista à TV, o governador do Piauí, Mão Santa, dissertava sobre as obras sociais do seu governo. O repórter resolveu perguntar sobre o papel da primeira-dama, D. Adalgisa, que tem uma atuação marcante no Estado. Para enfeitar a pergunta, o repórter começou:
– Dizem que por trás de todo grande homem há sempre uma grande mulher...
– Discordo! – gritou Mão Santa. Na minha opinião, todo grande homem tem sempre uma grande mulher, mas não por trás, e sim por baixo!

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