Cláudio Humberto (De Brasília)
Cláudio Humberto
De Brasília
Cláudio Humberto Rosa e Silva
E-mail: [email protected]
www.claudiohumberto.com.br
Queremos gangues de jovens a favor do Brasil
(Do ministro Rafael Greca, em evidente ato falho, sobre os Jogos Interescolares 2000)
A montanha pariu um rato
Caros Amigos de abril saiu antes da data prevista (sexta, 14), com reportagem sobre Tomás, o filho de FHC e Míriam Dutra, repórter da TV Globo, e o silêncio obsequioso da imprensa, como esta coluna antecipou.
A matéria pisa em ovos, sonega fotos da mãe e do filho, abre off de Tão Gomes Pinto, da revista Imprensa, e protege o lobista que ameaçou retaliações, negando a verba publicitária que a revista pediu ao governo. Caros Amigos não usou as fotos que tinha: Míriam grávida (de álbum de família) e Tomás num parque de Barcelona (Espanha), onde vive.
O lobista aparentado
Além de FHC e da jornalista da Globo, um personagem permeia toda a matéria sobre Tomás: um conhecido lobista de Brasília, aparentado de Míriam Dutra, que em determinadas rodas é chamado de o homem que sustenta o filho do presidente. O repórter Palmério Dória recebeu até oferta de emprego na Petrobras para desistir da matéria. O lobista jantou e almoçou com pessoas da revista, mas seu nome sequer é citado.
Para agradar ao lobista amigo, a revista preferiu atacar esta coluna, que antecipou a publicação da matéria no dia 2 de abril.
Os caros amigos
Além de não publicar fotos de Míriam Dutra e de Tomás, que, segundo depoimentos, é a cara do presidente, e de poupar o lobista que a pressionou, a revista fez outras concessões, como tratar apenas en passant fatos importantes como o show de grosseria de FHC no Senado, no dia em que ela contou que estava grávida. Caros Amigos também foi muito camarada com o ministro José Serra, deixando de revelar os seus métodos como bombeiro da história, e com o deputado José Genoino (PT-SP), que interferiu para evitar a reportagem.
Ameaça à Veja
Grave revelação da reportagem sobre Tomás é a ameaça de Margrit, irmã de Míriam Dutra, de quebrar financeiramente a Editora Abril caso Veja publicasse matéria sobre o tema. A revista não conta, mas Margrit é mulher de Fernando Lemos, dono de empresa de lobby em Brasília.
Lemos negou a esta coluna que faça lobby; diz que apenas posiciona os clientes sobre assuntos do seu interesse.
O sucesso do dia
Foram disputados quase a tapa os exemplares de Caros Amigos que chegaram à banca de revistas do anexo do Palácio do Planalto.
O dono da banca estranhou o intenso movimento até descobrir o que atraía o interesse dos funcionários da presidência da República: a matéria com a história de Tomás, o filho de 9 anos que FHC e a imprensa escondem dos brasileiros.
Avião da alegria
O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações, Renato Guerreiro, lidera uma alegre excursão de mais de 100 funcionários ao Rio de Janeiro, para o evento America Telecom 200, no Riocentro, à custa do contribuinte. A orgia é tamanha que o conselheiro José Pereira Leite rebocou duas secretárias de Brasília para servi-lo; Guerreiro levou uma. Embora a Anatel mantenha no Rio um enorme escritório regional, ocupando um andar inteiro do luxuoso prédio da Bolsa, na Praça XIV.
Daqui não saio
Pelo visto, o ministro de Esporte e Turismo, Rafael Greca, não parece interessado em pedir o boné. Tampouco acredita que será demitido: ele acaba de contratar por uma fortuna de fazer inveja a qualquer dono de bingo uma empresa de assessoria para retocar a sua imagem.
Às turras
Não convidem para a mesma mesa (de bar, restaurante ou de câmbio, tanto faz), o casal Elena Landau e Pérsio Arida e o pessoal do Banco Opportunity. As farpas trocadas são as mais pontiagudas possíveis.
A briga, com certeza, não é por questões ideológicas.
País da impunidade
Tem tudo para dar em nada a morte chocante do garotinho de 6 anos no Circo Vostok, em Jaboatão, na Grande Recife. Segundo o Ibama, a legislação só trata de animais da fauna brasileira (os leões ficam de fora) e apenas no que diz respeito a maus-tratos. Além disso, a instituição circo não existe na Constituição. O dono do circo fugiu e só quem dá entrevista é o domador de ursos. O de leões disse não saber de nada.
Com quem anda
Em entrevista ao jornal Estado de Minas, o empresário Paulo César Santiago, apontado pela CPI do Narcotráfico como envolvido na lavagem de dinheiro de Fernandinho Beira-Mar, jura inocência e se diz vítima de uma grande injustiça. Não se sabe se duas bombásticas revelações da entrevista atenuam ou complicam a vida do distinto: ele foi convidado especial para a posse de FHC e já jantou várias vezes com o governador de Minas, Itamar Franco.
Fundo de previdência
Antes a menina dos olhos dos organismos internacionais, os fundos de pensão do Chile esgotaram o interesse. No debate que o Banco Mundial promove até esta quarta sobre o tema, o secretário de Previdência do governo do Paraná, Renato Follador Jr., foi convidado a falar sobre sistemas de pensão no Brasil. Ele é quem toca o projeto do governo Jaime Lerner sobre fundo de previdência.
Alma penada
Muita gente importante marcou presença no sepultamento do jornalista Sérvulo Tavares, neste domingo em Brasília, mas um homem alto, de cabelos brancos, muito abatido, preferiu ficar a distância, acompanhando a cerimônia sem se aproximar do grupo principal. Parecia emocionado, mas foi embora tão discretamente quanto chegou. Sequer assinou o livro de condolências. Era o ex-deputado Sérgio Naya, condenado a pena perpétua, na opinião pública, pelo desabamento do Edifício Palace 2.
Cest la vie
Clóvis Carvalho, ex-chefe da Casa Civil de FHC, é um pote até aqui de mágoa. Desempregado, segundo ele morando de aluguel, nem de longe lembra aquele gerente do Brasil detestado pelos próprios colegas de governo. Há dias, num jantar de aniversário da atriz Ruth Escobar, ele foi às lágrimas contando a amigos a ingratidão daquele a quem foi tão fiel.
PODER SEM PUDOR
Gato escaldado
Depois que perdeu preciosos votos na eleição municipal de 1985, quando admitiu que era ateu, FHC ficou muito sensível ao tema.
Certa vez, quando senador, ele deixou o então reitor da Unicamp plantado no meio do gabinete, porque precisava sair apressadamente.
O reitor, atual ministro da Educação Paulo Renato Souza, estava ali para pegar o texto do prefácio de FH a um livro que publicaria em breve.
Agora não posso! disse o senador, saindo afobado.
O que houve? insistiu Paulo Renato.
Vou a uma missa! gritou FH, já no corredor, diante da expressão de incredulidade do amigo.
O gato escaldado com horror a água fria estava a caminho de uma missa em memória a um parente falecido.
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