Cláudio Humberto (De Brasília)
O Hildebrando do Piauí
Sequer assume a paternidade de uma filha que todos sabem que é dele
(Do prefeito Celso Pitta sobre Pelé, que o citou para dizer que tem vergonha do Brasil)
O Piauí já tem seu Hildebrando Do Caixão Pascoal. É o coronel aposentado da PM, Correia Lima, que seria asssim, ó, com o coronel da PM de Alagoas, Manoel Francisco Cavalcanti. Eles comandariam o crime organizado não apenas no Piauí, mas também em Pernambuco e Alagoas, numa espécie de conexão oxente. Fariam serviço completo, lavando o dinheiro do tráfico de drogas e armas. Utilizando pistoleiros maus como picapaus. Um deles seria Miguel Alves, o Miguelzinho, preso no Recife pelo sequestro de um empresário. Ele citou em seu depoimento o assessor de FHC, o ex-governador do Rio, Moreira Franco.
Elos perigosos
Miguelzinho é peça-chave na CPI do Narcotráfico em Pernambuco, que terminou prendendo o deputado estadual Eudes Magalhães. Já está indiciado o capitão da PM piauiense, Baltazar Rodrigues, que teria entregue o traficante José Hugo Alves Filho, o Huguinho, à turma de Hildebrando Pascoal. Huguinho foi esquartejado. O coronel Correia Lima nega que comande a desova nas fronteiras e, na prisão da PM em Teresina, adquiriu o curioso hábito da família Pascoal de citar versículos da Bíblia. Só os ameaçadores.
Línguas ferinas
O líder do PSDB no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), indicou para a diretoria de Engenharia da Infraero, que controla um dos mais ambicionados caixas do governo, Armando Schneider, candidato derrotado a deputado distrital pelo PFL. Quando Schneider foi gerente do aeroporto de Brasília, os adversários falavam mal das suas relações com a construtora Camargo Correia. Certamente por pura maldade.
Sinfonia da sujeira
Justiça seja feita: depois do último pacote de denúncias contra o governo de Anthony Garotinho, não é justo se falar em banda podre no Rio.
Já caracteriza uma orquestra inteira, com maestro e tudo.
Morte anunciada
O deputado Paulo Paim (PT-RS) considera que o salário mínimo está morto e enterrado, porque o governo, ao implantá-lo há dias, e não no 1º de maio, quebrou uma tradição de 59 anos. Abril ainda está no início, deputado, e o salário já morreu.
Corruptos na praia
No Recife e em várias cidades nordestinas, captura-se corrupto na praia.
Corrupto é como as crianças chamam o tatuí ou tatuzinho, bichinho usado como isca, pelos pescadores. Rápido, que se esconde em buracos na areia da praia, de onde só saem com a ajuda de uma bomba manual de sucção. Taí uma boa sugestão.
Ê, boiada
A tal farra do boi deve se repetir nesta Quaresma, em Santa Catarina.
Os deputados estaduais preferiram manter a tradição, optando pela barbárie. Derrubaram o veto do governador Esperidião Amin, que após a promulgação da lei da farra, arguirá sua inconstitucionalidade no STF.
Há dois anos o Supremo proibiu tal crueldade com os animais, depois de intensa campanha de entidades ecologistas e de gente famosa, como a roqueira Rita Lee. Não apenas sofrem os bois, mas os ignorantes que a praticam. Várias pessoas já se feriram e uma morreu.
Axé, meu branco
O Ministério Público da Bahia exige respeito à Constituição e monitorando a armação do governo baiano para impedir a comemoração paralela Brasil são outros 500. Dia 22, quando estará no palanque dos brancos da Rede Globo, em Porto Seguro, FHC deverá receber um abaixo-assinado de lideranças indígenas da Reserva de Dourados, exigindo 30 mil hectares de terra e melhores condições de vida. Por essas e outras, o sarrafo já está baixando no sul da Bahia e FHC pensando, seriamente, em se disfarçar de Daniela Mercury.
Novos inimigos
O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, já estava respirando mais aliviado, depois de conseguir avanços com as bancadas de Sergipe, Alagoas e Bahia. Mas uma turma de jovens cheios de energia está prometendo jogar água fria no projeto de transposição do rio São Francisco: estudantes de comunicação de todo o País, montaram uma lista de discussão na Internet e estão polemizando ainda mais o tema. O acesso é através da página www.enecos.org.br
Um bom alemão
Se nenhuma editora brasileira ainda não comprou o título, vale a sugestão: lançado pela editora inglesa Duckworth, O diário de um homem desesperado, de Friedrich Reck-Malleczewen, é leitura imperdível e atual, agora que a imprensa parece ter se esquecido do aprendiz de Hitler, Joerg Haiden. No livro, Malleczewen, um patriota alemão, aristocrata prussiano, um dândi refinado, descreve seu horror pelas idéias do líder nazista, que promoviam a crescente barbárie em seu país. Deixou um testemunho extraordinário e acabou fuzilado, já ao fim da Segunda Guerra Mundial, no campo de concentração de Dachau.
Tragédia anunciada
O Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia alerta que a qualquer momento pode ocorrer um gravíssimo desastre ambiental no Recôncavo, porque o duto da Refinaria Landulfo Alves, em Mataripe, tem dezenas de pontos críticos, além de 40 anos de existência. Técnicos do Sindicato revelaram que já houve vazamentos anteriores, pouco expressivos, mas desta vez a situação está negra como petróleo. Os dutos percorrem 60 quilômetros numa região de grande valor ecológico. A Petrobras colocou um técnico de plantão, que segundo os sindicalistas, terminará pagando o pato, como aconteceu na baía de Guanabara.
Teleeme
Além do prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (o que bem se esconde), praticamente todos os cariocas estão por aqui com a Telemar.
Segundo o deputado José Carlos Coutinho, do PFL do prefeito, o Procon já registrou 15 mil queixas contra a privatizada Telemar. A Cerj também não se sai melhor. O Instituto de Defesa do Consumidor diz que 44 mil municípios do Estado não têm luz. Reclamar da Telem..., como chamam os usuários, é um exercício de paciência budista, sem falar nas cobranças indevidas, da gravação alertando que o telefone está ocupado e... (a linha caiu).
PODER SEM PUDOR
O fim de Pió
A Revolução de 32 impôs a lei marcial e Campina Grande (PB) não fugiu à regra, em meio a uma rotina de estampidos das armas de fogo.
Certa noite, o vereador Zé Pió, de conhecida família local, retornava de uma farra, em pleno blecaute, quando foi interceptado por um sentinela:
Alto lá! gritou o soldado.
Zé Pió não percebeu que a advertência era dirigida a ele e continuou a andar, tateando a escuridão. O militar engatilhou o fuzil:
Quem vem lá? Fale, se não leva fogo!
É Pió! Não atira que é Pió! gritou o vereador.
Pior para ele. O soldado achou que era uma provocação e mandou bala.
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