Cláudio Humberto


De Brasília



Cláudio Humberto Rosa e Silva
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‘‘Do jeito que eles estão se atacando, é caso de polícia’’
(De Lula, presidente de honra do PT, pedindo CPI depois do vexame de ACM e Jáder)

Apagão na Escelsa

Um impasse entre os acionistas paralisa a Escelsa, as Centrais Elétricas do Espírito Santo, recentemente privatizada. O banco Opportunity e a Eletricidade de Portugal desejam demitir o presidente da empresa, Francisco Gomide, mas os fundos de pensão do governo (Real Grandeza, de Furnas, e Eletro, da Eletrobrás, por exemplo), que têm 48% da empresa, não aceitam. Os controladores suspeitam das relações de Gomide com a americana Enron, que pretende negócios na área da Escelsa. Mas o segredo de Gomide é sua excelsa capacidade de – digamos – energizar a rapaziada que dirige os fundos de pensão.

Menino sem pátria
O deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE) vê com muito bons olhos a reportagem que a revista ‘‘Caros Amigos’’ vai publicar sobre Tomaz, o filho de FHC que mora em Barcelona. Sempre envolvido nas causas referentes a família, tradição e propriedade, ele acredita que a revista vai fazer a população refletir sobre o direito de a criança ter uma família e de conhecer seu pai, independente de quem seja.

Cartão vermelho
A dama ofendida e humilhada já comunicou: como se comprometeu em 94, vai manter as aparências. Mas, findo o governo, adeus.

Pensando bem...
...reconstruir o presídio da Ilha Grande, no Rio, faz o maior sentido no governo Garotinho.

Mordeu a língua
ACM disse que não frequentava ‘‘o prostíbulo’’ dos Pitta.
E por onde andava o presidente do Senado, na tarde desta quarta, com seu colega Jáder Barbalho?

Não houve jeito
Duas pessoas atuaram como bombeiros, na briga de recortes de jornais entre ACM e Jáder Barbalho: o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), e o líder do PFL, Inocêncio de Oliveira (PE).

Sabor bem brasileiro
A Casa Civil da Presidência da República não passa sem refrigerante. Vai gastar R$ 10 mil durante nove meses, só em guaraná. Trinta garrafas de 350 ml por dia já configuram overdose.
Deve ser para levantar o astral.

Plim-plim e porrada
A destruição do monumento indígena pataxó em Santa Cruz de Cabrália, na terça, não foi o único ato de intimidação ilegal da PM do pajé-adjunto da Bahia, governador César Borges. No dia anterior, autoridades do Conselho de Desenvolvimento Regional, responsáveis pelas obras festeiras dos 500 anos, bateram boca com os índios, ameaçando destruir as casas próximas aos monumentos oficiais, com todos dentro. Aos gritos, diziam: ‘‘Vocês não mandam nada. A Globo quer a área limpa.’’

Terra papagallis
Segundo o Conselho Indígena Missionário, as obras em terras pataxós viola direitos constitucionais, porque os índios já estavam lá antes dos interesses empresariais, inclusive os do ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca & cia. Coroa Vermelha foi invadida pelas mais variadas construções, depois de escapar de um megaprojeto imobiliário proposto por Greca. O silêncio absoluto da Globo sobre o assunto até se engole, mas não o do ministro da Justiça, José Carlos Dias. Protestos do mundo inteiro estão chegando no e-mail de Sua Excelência: [email protected]

Médicos e monstros
Uma cliente da Unimed decidiu se queixar ao Cremerj e ao Procon contra dois badalados hospitais ‘‘de primeiro mundo’’, no Rio: o Barra D’Or e Rio Mar, conveniados ao plano. Autorizada pela Unimed a internar o filho, com fratura exposta, a cliente foi tratada com descaso, tentaram empurrar uma prótese caríssima, não conseguiu vaga, esperou horas e terminou atendida com sucesso num hospital público, com a criança em estado grave, sofrendo dores atrozes. No hospital Rio Mar, o dr. Renato Matos, ortopedista de plantão, exigiu pagamento antecipado de R$ 6 mil.

Agressão covarde
O deputado paulista Agripino Lima (PTB) agrediu a colunista Rose Moreno, ameaçou queimar o jornal ‘‘Realidade’’ e matar seu marido, dono da publicação. A agressão ocorreu num corredor da Unoeste, entidade pilantrópica de Lima, em Presidente Prudente (SP), onde Rose estuda.
O deputado se irritou porque o jornal investiga denúncias que o envolvem em lavagem de dinheiro e não gostou de saber que ‘‘Realidade’’ tinha cópia do holerite de sua nova mulher, Lucineia Demattei, que ele nomeou na Assembléia Legislativa de São Paulo. O boletim de ocorrência e o holerite estão na seção ‘‘Dossi꒒ do site www.claudiohumberto. com.br.

Chave de cadeia
Os vereadores paulistanos estão convencidos de que o vazamento da lista da propina, publicada na revista IstoÉ e enviada anonimamente ao Ministério Público – é obra de Egberto Batista, irmão do ex-senador Gilberto Miranda, a serviço da candidatura do senador Romeu Tuma (PFL-SP) à prefeitura de São Paulo. Acredita-se que Egberto – ex-secretário de Desenvolvimento do governo Collor – é dono de explosivo banco de dados, tipo chave de cadeia, sobre políticos de todo o País.
Sexo, mentiras e confusão
Uma denúncia de assédio sexual contra um deputado do PT está agitando a Assembléia de Sergipe. O deputado Gilmar Carvalho teria assediado uma ex-funcionária de seu gabinete, a estudante Caroline do Amor Christian. Gilmar, que é radialista, montou um verdadeiro palanque de defesa em seu programa, dizendo-se chantageado por adversários políticos. Caroline do Amor resolveu esquecer o assunto e tudo terminaria em pizza no bar da esquina, não fosse a intervenção da Executiva do PT, que agora exige provas do inocente e da acusadora.


PODER SEM PUDOR
Santa paciência
O deputado José Múcio Monteiro (PFL-PE) é um dos poucos políticos do seu Estado que ainda conseguem lidar com o prefeito do Recife, Roberto Magalhães, mas bem que os dois poderiam ter brigado há muito tempo.
Quando era governador de Pernambuco, Magalhães ordenou que Múcio, seu Secretário de Transportes, Comunicações e Energia, fosse com ele ao Programa Geraldo Freire, campeão de audiência no Recife. A certa altura da entrevista ao vivo, no estúdio da rádio Jornal do Comércio, ele pediu o testemunho de Múcio para uma afirmação categórica:
– Meu governo já fez mais de 12 mil quilômetros em eletrificação rural!
José Múcio não deixaria o governador mentindo sozinho:
– É verdade, foram mais de 12 mil quilômetros...
O grito de Magalhães deixou Múcio com a cara no chão:
– É mentira! Não posso mentir ao povo. Na verdade, foram só 8 mil!

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