Cláudio Humberto (De Brasília)
A verdade é que se evitou um massacre
(De ACM, querendo fazer acreditar que a tropa de choque baiana temia manifestantes desarmados)
No lugar certo
No sábado passado um cidadão exaltado, vestindo elegante blazer azul-marinho e calça cinza-chumbo, num restaurante de Santiago do Chile, prendia a atenção de alguns companheiros de almoço endereçando os piores adjetivos contra o presidente Fernando Henrique Cardoso. Vários turistas brasileiros, silentes nas mesas ao lado, ruborizaram com a virulência dos impropérios e com as gravíssimas acusações. Tratava-se de César Maia (PTB), ex-prefeito do Rio e candidato a retornar ao cargo. O restaurante (não por acaso?) era o célebre Recanto de Los Canallas.
Lorota de mecenas
O banqueiro Edemar Cid Ferreira teve o mérito de liderar o esforço da exposição do Redescobrimento, mas contou uma lorota ao jornalista Elio Gaspari, quando jurou que da bolsa da Viúva só saíram R$ 1,6 milhão dos R$ 40 milhões que teriam sido gastos. Para quem jurou que não atacaria o Erário e disse que dinheiro é fácil, o mecenas ficou muito nervoso quando há dois meses o governo negou os R$ 15 milhões que exigia. Deu o maior piti, como esta coluna registrou, esculhambou FHC e seus ministros diante de dois deles e ainda levou R$ 7 milhões da Viúva.
Pensando bem...
...22 de abril é que foi o Dia do Índio.
Nau sem rumo
Já se sabe que a Terra não é quadrada, que o caminho das Índias desembocou na América, mas a Nau Capitânia do ministro Rafael Greca, não a do navegador Cabral, teve que ser rebocada e morreu na praia.
Faz sentido.
A nau de Colombo
E foi a um pequeno estaleiro da Bahia que os produtores do filme 1498, com Gérard Depardieu, encomendaram a réplica da caravela NiÀa, da esquadra de Colombo. Custou menos de US$ 2 milhões e não pagamos nada por ela. Só o ingresso na bilheteria.
Meganha desafiado
Autoritário e violento, o coronel PM Wellington Muller, que comandou a repressão em Santa Cruz Cabrália, precisou se controlar para não dar as primeiras páginas à senadora Heloísa Helena (PT-AL). Trajando o modelito despojado com que frequenta o Senado, porque militante de esquerda se veste mal ainda que embolse R$ 8 mil por mês, ela desafiou o coronel, xingando-o aos gritos, com o dedo em riste. Ele advertiu: abaixe esse dedo!. Ela insistiu: Num baixo! O coronel saiu da frente e tomou um tapa-empurrão pelas costas. Mesmo assim, não reagiu.
E la nave não foi
O leitor José Molteni Filho, de Curitiba (PR), acertou na mosca:
Frederico Felllini não teria escrito melhor roteiro da festa dos 50 anos do descobrimento do Brasil. Uma réplica de nau que não navega. Festa popular só para o público fardado. Quem compareceu sem uniforme com a exceção de alguns figurantes foi brindado com uma democrática (porque indiscriminada) distribuição de muita bolacha e pescoção. A imprensa fazendo protesto porque não foi servido almoço grátis. E o presidente errando a letra do Hino Nacional na televisão. Brasil, il, il il!
O vexame de Dom Fernando
O Brasil foi notícia de primeira página no The New York Times, The Washington Post, Philadelphia Inquirer e The Baltimore Sun, entre outros, nos Estados Unidos, graças à truculência da PM baiana.
Os jornais da Espanha foram implacáveis com o vexame das comemorações dos 500 anos na Bahia. O La Vanguardia publicou em manchete: O Brasil ainda é Belíndia. O Estrella Digital diz que as desculpas de Cardoso não evitaram uma nova crise política no Brasil e citou o líder Nílton Pataxó, que chamou FHC de mentiroso e traiçoeiro.
Trocando as bolas
O ainda ministro de Esportes e do Turismo, Rafael Greca, ficou feliz com a conturbada demissão do ex-presidente da Funai, Carlos Marés.
Afinal, o rechonchudo Grega era a bola da vez. E continua sendo.
Filho da Pitta
Vitor é o filho favorito de dona Nicéa, que até o acompanhou à delegacia quando ele foi detido nesta segunda, após bater na namorada. Não é a primeira vez que ele figura em boletins de ocorrência, nem Daniele Gianone Negro a sua primeira vítima. Para não apanhar, o próprio pai se enrolou com o garotão no seu gabinete, na prefeitura, pouco antes de a mamãe botar a boca no trombone da Globo.
Sarney vs. Brasília
No seu artigo semanal, o ex-presidente José Sarney anotou que é incomum no calendário uma concentração tão significativa de eventos: sexta-feira da Paixão, o dia de Tiradentes e o aniversário de morte de Tancredo. Acrescentou ainda os 500 anos do Descobrimento. Sobre os 40 anos de Brasília, cidade que o acolheu grande parte de sua vida, como parlamentar e presidente, nenhuma referência. O que fez de tão mal a aniversariante para que Sarney a riscasse do mapa?
Poderosa Juju
Está podre e fedendo a versão do secretário de Segurança do Rio, Josias Quintal, de que a delegada afastada Márcia Julião não participou da captura do traficante Marcinho VP. Teriam sido seus colegas da Delegacia da Criança e policiais do serviço reservado da PM os autores da façanha. Juju Carabina teria aparecido apenas para dar os parabéns. Só falta dizer que a acusada de pertencer à banda podre da polícia passava casualmente pelo morro quando viu o bandido e deu ordem de prisão. Vão-se os Fernandinhos Beira-Mar, ficam os Marcinhos VP.
Pauta milionária
A discussão sobre o salário mínimo no Congresso concentra todas as atenções e vai deixando meio despercebida uma matéria não menos importante, pautada para esta semana na Câmara: o projeto que define as regras das agências nacionais reguladoras.
Ao invés do mínimo, essa pauta concentra o máximo em interesses.
PODER SEM PUDOR
O jeitinho do prefeito
A maior virtude do prefeito de Amparo (SP), Raul Fagundes, era imitar com perfeição o governador Ademar de Barros, nas rodas amigas. Um dia resolveu tirar proveito disso, cansado de chás-de-cadeira.
Para acelerar a liberação de um convênio encalacrado na Secretaria Estadual de Educação, do hotel onde estava ele telefonou ao gabinete do secretário, imitando o governador:
Me chame aí o prefeito de Amparo! disse, com tom áspero.
É claro que o prefeito não foi encontrado.
Se o prefeito Raul Fagundes aparecer por aí, mande ele vir aqui no palácio imediatamente! gritou o solícito chefe de gabinete.
Quando chegou à secretaria, Raul era procurado desesperadamente. Mas ele impôs uma condição para atender o chamado do governador.
Só saio daqui com o convênio assinado. O governador que espere.
Nunca um prefeito foi atendido tão rapidamente.
Claudio Humberto Rosa e Silva
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