Cláudio Humberto (De Brasília)
Se dependesse de mim, eu prenderia e puniria os responsáveis
(Do ministro da Saúde, José Serra, tirando o corpo na luta contra os abusos dos fabricantes de remédio)
Assombração no BNDES
A sala do presidente do BNDES deve ser um lugar mal-assombrado, onde se esconde uma alma penada que fala pelos cotovelos.
Ninguém escapa. Primeiro foi Mendonção e André Lara Rezende, depois Andrea Calabi, que tropeçaram na própria língua.
Agora a assombração do BNDES incorporou no em geral sisudo, discreto e econômico ex-banqueiro Francisco Gros.
Aliança esdrúxula
Em conversas por enquanto reservadas, mas que já são do conhecimento de FHC, Francisco Gros desenvolve um raciocínio para explicar por que está convencido que a reforma tributária não vai sair.
Segundo o presidente do BNDES, a reforma tributária é vítima de uma aliança esdrúxula que une a fome da banda podre da Receita Federal, que está habituada a operar no atual regime fiscal, e a voracidade do próprio governo que está satisfeito com o sistema em vigor.
Clima de horror
O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, já está achando que a briga pelo poder, na Petrobras, ainda vai acabar na polícia.
Ele soube que José Coutinho Barbosa, diretor de Exploração e Produção, anda monitorando as chamadas telefônicas de seu colega Roni Vaz Moreira, diretor Financeiro. Não é grampo, e sim um controle para verificar as ligações que Moreira recebe e faz.
Se a moda pega...
Pode estar fazendo escola o caso do sumiço do processo contra o Banco Nacional, cujo misterioso desaparecimento do Banco Central deixou a suspeita de tentativa de jogar o caso na vala comum da impunidade.
Em Goiás, o processo que incrimina Otoniel Machado, irmão e suplente do senador e ex-governador Íris Rezende (PMDB), pelo desvio de R$ 5 milhões da Caixego, também se encontra fora de circulação. Ninguém consegue acesso ao papelório, nem no cartório nem no gabinete do juiz encarregado do caso, embora ainda se saiba que o processo está em poder do Dr. Agnaldo Denizart Soares para despacho, sem previsão de devolução ao cartório.
Pensando bem ...
... estará o Dr. Agnaldo Denizart transformando o irmão do senador Íris Rezende no primeiro beneficiário da Lei da Mordaça?
Sem medo da verdade
O presidente do STJ, ministro Paulo Costa Leite, é contra a chamada Lei da Mordaça. Para ele, no momento em que o Poder Judiciário luta por modernização para que a Justiça seja rápida e qualificada, não se pode conceber uma norma para calar a magistratura.
Costa Leite considera a Lei da Mordaça verdadeira vergonha nacional.
Pagando em dobro
O governo federal é muito bonzinho. Revelou a aplicação de R$ 5,1 bilhões para recuperar e duplicar as rodovias Fernão Dias e Régis Bittencourt, em São Paulo, que logo depois serão privatizadas.
Em breve, os contribuintes terão o privilégio de pagar a empresas particulares, via pedágio, o privilégio de trafegar nas estradas construídas, reformadas e melhoradas com o dinheiro público.
Recorde à vista
A votação marcada para o dia 1º de outubro deste ano, destinada à escolha de milhares de prefeitos e vereadores em todo o País, certamente ficará na história como uma das eleições mais corruptas, pelo uso indevido da máquina pública. A previsão, nada otimista, é do presidente nacional da OAB, Reginaldo de Castro, para quem o instituto da reeleição servirá como um incentivo a candidatos inescrupulosos, que não pretendam medir esforços a fim de obter um mandato subsequente.
Bicudos não se beijam
Na briga pela sucessão municipal em Fortaleza vale a máxima nordestina de que dois bicudos não se beijam. Bicudos, no caso, são os tucanos Tasso Jeireissati e Sérgio Machado.
Machado, líder do PSDB no Senado, insiste em candidatura própria, mas o governador Tasso diz que essa é uma questão da sua exclusiva competência e confirma apoio a Patrícia Gomes (PPS), ex-senhora Ciro.
Na verdade, Tasso e Machado travam agora o primeiro round da luta pela controle dos destinos do PSDB cearense em 2002.
O Fat e o Proer
Diante da enxurrada de denúncias de maracutaias no milionário Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), gerido pelo Ministério do Trabalho, o deputado Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP) gira a metralhadora verbal:
- Denúncia é pra ser apurada, mas não venham usar isso para acabar com o FAT, como é o desejo secreto de alguns. O ministro da Fazenda, por exemplo, gostaria de gastar esse dinheiro com outras coisas, que não o apoio aos trabalhadores.
Para Medeiros, o problema é que, no Brasil, gastar com banqueiro pode, mas gastar com pobre, não, arremata, comparando o FAT com o Proer.
Capivara Inn
A Sudene recebeu esta semana um pedido de financiamento ao Finor no mínimo inusitado. A empresa Serra da Capivara quer R$ 45 milhões do Fundo de Investimentos do Nordeste para construir o primeiro hotel 6 estrelas do País, localizado em São Raimundo Nonato (PI).
Meu garoto do Iraque
Quase todo pai famoso tem filho-problema. Mas o ditador iraquiano Saddam Hussein tira isso de letra, literalmente. Uday Hussein, que mal assina o nome, foi eleito Jornalista do Século pelos colegas da imprensa do Iraque. Apenas quatro dos 702 sindicalizados tiveram a ousadia de votar contra. Uday, que curiosamente também edita uma revista sem ser jornalista, é dono de uma TV e várias rádios. Uday é conhecido não apenas pelos negócios que faz com o governo do papai, mas também pela mania de matar, prender e arrebentar.
Ninho pernambucano
O deputado federal Luiz Piauhylino e o estadual João Braga podem, a qualquer momento, acender o cachimbo da paz e restabelecer a unidade no ninho pernambucano dos tucanos. Braga é candidato declarado à Prefeitura do Recife, enquanto Piauhylino acha que, para colocar o PSDB no governo Jarbas Vasconcelos (PMDB) e fortalecer os tucanos no interior, o partido deve apoiar a reeleição de Roberto Magalhães (PFL).
A briga já esteve feia, mas há sinais de um acordo honroso para os dois lados e bom para todos, envolvendo até a recuperação da cadeira senatorial perdida com a deserção de Carlos Wilson, que migrou do PSDB para o PPS.
PODER SEM PUDOR
Confissão imediata
Joaquim José Felizardo era um velho militante comunista e foi um dos primeiros a ir para a cadeia, no golpe de 1964.
No corredor do Dops, ele aguardava a vez de ser interrogado. Ao seu lado, encontrava-se outro suspeito de ser comunista, um advogado gay.
- Tragam o pederasta e o comuna! gritou o delegado.
Progressista mas nem um pouco politicamente correto, Felizardo deu um salto à frente para esclarecer rapidinho:
- Doutor, o comunista sou eu, hein?





