Cláudio Humberto (De Brasília)
Vamos conversar sobre o momento político, será um jogo aberto
(De ACM, que se encontra com FHC neste sábado, depois que os dois abriram a relação)
Acúmulo suspeito
O setor elétrico estranhou a atitude do ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, ao aceitar que o presidente da Eletronorte acumule a Diretoria de Planejamento e Engenharia até sua extinção, pelo Conselho de Administração. Esta coluna revelou que graves irregularidades em Tucuruí resultaram na demissão do diretor da área, Caio Márcio Barra.
Como se trata de uma empresa de engenharia, estranha-se que o governo acabe com a diretoria que cuida da atividade fim da Eletronorte.
Abra o olho, ministro
Ao acumular a presidência com a Diretoria de Planejamento e Engenharia da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes pode estar pretendendo fazer o que até agora não conseguiu: controlar uma área vulnerável a corrupção, segundo avaliam especialistas.
Mas pode significar o triunfo das empresas amigas de consultoria Themag e Engevix, fornecedoras de mão-de-obra da estatal.
Pensando bem...
...o ex-banqueiro Francisco Gros, atual chefe do BNDES, sempre foi mais econômico do que social.
Tiro no pé
É curiosa a lógica do marketing da Petrobras, que há três temporadas gasta US$ 18 milhões anuais em troca da colocação de um adesivo (em preto e branco, e não verde e amarelo) nos carros da equipe Williams, de Fórmula 1. Como o principal patrocinador da equipe é a Castrol, concorrente direto do óleo Lubrax, da Petrobras, a logomarca BR pode estar sendo escondida e até desvirtuada de forma proposital.
Laços de família
O senador Maguito Vilela (PMDB-GO) rompeu com Sandra, a ex-esposa, mas se mantém afinadíssimo com o cunhado Gean Carvalho, que faz parte do seu staff do Congresso.
Ele é o principal acusado num processo que investiga o desvio de US$ 1,8 milhão na Secretaria de Comunicação de Goiás, quando ele era o poderoso secretário e protegido do governador Maguito Vilela.
Carta selada
O governo anunciou esta semana novo aumento nas tarifas postais, dentro do esforço para implantar o realismo tarifário.
Conversa mole. É só mais uma iniciativa para atiçar a cobiça de investidores estrangeiros para um setor que o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, está louco para privatizar.
A guerra dos pelados
O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, mandou comprar, em regime de urgência e sem licitação, claro sungas e maiôs cor da pele para os índios que se apresentam na festa dos 500 anos. Não quer ninguém pelado na área.
Mas o problema, ministro, é que o Rei está nu.
O fantasminha delegado
A Câmara Municipal de João Pessoa está convivendo com um fantasma problemático. O vereador do PTB Cícero de Andrade, que tem o sugestivo apelido de Delegado, faltou a 35 sessões plenárias em 1999, não deu a menor bola, mas uma vigilante Velhinha de Taubaté local decidiu cobrar providências. A eleitora lembrou que bastam 36 sessões para cassar o gazeteiro, o que despertou o suplente de seu sono legislativo. Ronaldo Menezes agora quer legalmente o lugar do colega de partido, desesperado pela diferença que faz um dia.
Na toca da Raposa
Lideranças indígenas de Roraima que participarão das comemorações dos 500 anos em Porto Seguro lerão neste sábado, em Boa Vista, uma carta de protesto, defendendo a demarcação da Reserva Raposa do Sol sem a interferência de ONGs estrangeiras e da Igreja. Temem a destruição da Amazônia por entidades internacionais, que segundo o líder Gilberto Macuxi, compram a preço de banana as imensas riquezas locais. As comunidades da reserva querem manter suas tradições sem interferência também da PF, que volta e meia coloca alguns representantes deles na cadeia.
Tudo muito natural
F. Lamas, o lobista, aquele que se apresenta como amigo e aparentado de FHC, não entende por que se critica tanto o assalto ao Erário.
Apesar do ar de pensador marxista, ele acha tudo muito natural, desde os tempos em que foi funcionário fantasma da estatal Vale do Rio Doce. Ou quando, na sua fase mais pragmática, viabilizou aquele big apartamento no fim da linha do metrô.
Alô! Alô? Caiu
As empresas TCO-Centro Oeste Celular (Telebrasília) e NBT-Norte Brasil Telecom prometem sortear, dia 29, 1 milhão de minutos em ligações para celebrar a marca de 1 milhão de clientes.
Deve ser para amenizar o stress da clientela, como a de Brasília, que raramente consegue concluir uma ligação.
Índio de gravata
Se alguém divisar um índio bem comportado na comitiva do presidente português Jorge Sampaio, durante a festança em Porto Seguro, ele é Tunkô, da tribo maranhense gavião, em Amarante. De passagem por Lisboa, Tunkô deu entrevista a um jornal português criticando a Funai, responsável pelas brigas entre os índios, uma máfia controlada pelos Lulas e Brizolas, que faz negociatas noturnas, e os pataxós, que seriam injustos com FHC, o presidente que mais demarcou terra indígena e tem inteligência para dirigir o País. Pelo menos disse que fazendeiros e mineradores estão matando os índios.
PODER SEM PUDOR
Melhor não sonhar
Governador do Piauí, Alberto Silva ficou famoso pelos projetos mirabolantes, como o metrô de Teresina e a Praia de Poticabana (associação do Rio Poti com a Praia de Copacabana). Findo o governo, o velho Alberto elegeu-se senador e, nessa condição, marcou audiência com o presidente da República, que era José Sarney. Em um madorrento fim de tarde brasiliense, Sarney quis saber quem ainda restava atender naquele dia.
Além de dois ministros, tem um velhinho cochilando na sala de espera informou o ajudante de ordens.
Esse velhinho é o senador Alberto Silva?
Sim, presidente.
Então faça-o entrar imediatamente.
Mas, presidente, os ministros marcaram e chegaram primeiro ...
Acorde o senador e mande-o entrar agora mesmo determinou Sarney, explicando:
Se acordado ele inventa os projetos mais absurdos, imagine quanto pode custar ao País um sonho do Alberto Silva na ante-sala do presidente da República!
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