Cláudio Humberto (De Brasília)
Dona Ruth de escudo
O governo não pode sair por aí pegando R$ 26 bilhões das pessoas
(Do ministro Pedro Malan, justificando os R$ 151 pagos aos que não devem impostos nem recebem isenção fiscal)
FHC é mesmo sabido: ao contrário de todas as outras viagens internacionais, na Costa Rica ele fez questão que Dona Ruth estivesse presente na entrevista coletiva. Fizeram-na sentar numa cadeira lateral, mas entre o presidente e os jornalistas. O clima era de constrangimento.
Foi uma artimanha para inibir perguntas sobre o filho Tomaz, de 9 anos, que ele teve com a jornalista Míriam Dutra, e tenta esconder do País.
Deu certo.
Questão de caráter
A relação extraconjugal do presidente é de fato uma questão de foro íntimo e pessoal, como um jornalista da Folha de S. Paulo disse a um leitor inconformado com o silêncio do jornalão sobre o assunto. É claro que a intimidade de Nicéa e Celso Pitta não conta, mas essa é outra história.
O problema foi a atitude de FHC, que depõe contra o seu caráter, ao não assumir publicamente a paternidade da criança e valer-se da instituição da Presidência da República para encobrir o fato e coagir a imprensa.
Apertem os cintos
Continua sumido no Banco Central o processo administrativo 96.00666646, em 13 volumes, contra o extinto Banco Nacional. A juíza só tem cópias e a xerox está bem ruinzinha.
Calma, Beth
O governador do Rio já se chamou Anthony William Elizabeth. Isso talvez explique o destempero de Garotinho, que já não aguenta mais tanta blitz contra o seu governo.
Jogada impune
Um fato ocorrido esta semana dá a dimensão do sentimento de culpa e da vulnerabilidade do governo Jaime Lerner, no Paraná.
Na calada da noite, pelas 23h, deputados governistas protocolaram cinco pedidos de CPIs frias, só para entupir a pauta e impedir a instalação de uma eventual comissão de inquérito para investigar uma grande tramóia, os chamados Jogos da Natureza, revelada nesta coluna.
Apartamentos na planta
Multiplicam-se as queixas de consumidores em todo o País que compram apartamentos na planta para depois serem enganados.
Nessa questão, os portugueses são ainda mais ciosos que os franceses, conforme lembrou Marcos Almeida, um dos muitos leitores que escreveram a esta coluna sobre o assunto. Os franceses só permitem a comercialização do imóvel quando 50% da obra estiver concluída; em Portugal, isso só acontece após a liberação do habite-se.
Terra estrangeira
O clima é de guerra entre a tribo baiana do pajé-adjunto, o governador César Borges, e a comunidade Pataxó de Coroa Vermelha em Cabrália, no sul do Bahia. Cerca de 200 PMs invadiram a aldeia dos donos da terra e da festa dos 500 anos. Armados e abusados como sempre, os PMs ameaçaram o cacique Karajá e destruíram o Monumento da Resistência, símbolo da Conferência que reunirá mais de cinco mil índios entre 17 e 21 de abril. A tensão é tão grande que um juiz federal do Acre deu salvo-conduto para que lideranças indígenas do Estado e do Amazonas possam chegar vivas à Conferência.
Os astros não mentem
Se depender da astrologia, ACM vai levar um Plutão pela proa.
Conforme uma astróloga carioca antecipou a esta coluna, o presidente do Senado se envolveria num escândalo danoso à sua reputação e também teria problemas de saúde, com sério risco.
João Valentão
Está difícil é de saber quem é o mais brigão: ACM ou Jader Barbalho.
O líder do PMDB resolveu atacar o presidente do Senado com poesia e lembrou a música do baiano Dorival Caymi, que diz:
João Valentão é brigão/Pra dar bofetão/ e não pensar na vida/A todos João intimida/E faz coisas que/Até deus duvida.
Sem poesia
ACM preferiu ser direto, no bate-boca com Jáder Barbalho:
Nicéia Pitta não é uma santa, mas é melhor que o senhor. Quem tiver caráter não gosta de Vossa Excelência.
Pensando bem...
... o problema dessa luta de ACM com Barbalho é que até o juiz está roubando. E gargalhando.
O inefável Zeca
O tal do Fundersul, o imposto rodoviário que tira R$ 3 do combustível e de cada boi transportado nas sacolejantes estradas do Mato Grosso do Sul, já acumula mais de R$ 30 milhões no cofre do governo, mas Zeca do PT sentou em cima e se recusa a aumentar o salário dos servidores.
Resultado: eles ameaçam parar nesta quinta, exigindo pelo menos 20% a mais no contracheque. Sem aumento há seis anos, eles reclamam que Zeca deu R$ 400 mil à Escola de Samba do Salgueiro, no Rio, e tem R$ 600 mil para bancar o aluguel de um jatinho
The magic red carpet
O vermelho não está apenas nos tapetes dos modernos jatos da TAM.
Depois de mais uma década exibindo números animadores, a empresa comandante Rolim, no momento em que alça o seu vôo mais alto, com a compra de Airbus, surpreende o mercado com um balanço que registra o maior prejuízo da aviação comercial brasileira até agora: R$ 129 milhões.
Rotos e esfarrapados
A situação da TAM não é única, na aviação comercial brasileira.
Mesmo tendo arrancado R$ 800 milhões do Erário, num mal explicado acerto de contas, a Transbrasil registrou perdas superiores a R$ 90 milhões; a Rio-Sul emplacou R$ 9,9 milhões negativos, enquanto a Varig e a Vasp devem apresentar balanços desastrosos, segundo o governo.
PODER SEM PUDOR
O nome do mal
O presidente e o secretário-geral do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL) e deputado Márcio Fortes (RJ), chegaram com grande atraso numa reunião com ministros e governadores tucanos. Para minimizar o vexame, Fortes foi logo justificando:
Desculpem o atraso, mas o presidente Teotônio teve uma crise de um mal muito raro, o distúrbio cronotopocinético, mas já está tudo bem.
Ninguém entendeu nada, muito menos Vilela, que se sentia muito bem. No final da reunião, o senador chamou Fortes num canto:
Que diabo de doença você me arrumou?
Ah, Téo respondeu didaticamente o deputado eu também sofro dela: distúrbio cronotopocinético. Crono de tempo, topo de terreno ou distância e cinético de movimento. Somando tudo, quer dizer que o sujeito não consegue calcular quanto tempo precisa movimentar-se para vencer determinada distância, chegando sempre atrasado.
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