Cláudio Humberto (De Brasília)
Cláudio Humberto
De Brasília
Cláudio Humberto Rosa e Silva
E-mail: [email protected]
www.claudiohumberto.com.br
Juiz e promotor não podem ficar jogando para a torcida
(Do ministro da Justiça, José Carlos Dias, dizendo que a Lei da Mordaça não amordaça)
Operações na Saúde
O paradoxo de Serra: no Ministério da Saúde, a cada dia que passa sobram operações e faltam cirurgias. A maior desses operações foi montada em torno da bilionária concorrência internacional nº 01/99, de US$ 1,5 bilhão, destinada à implantação do Cartão Nacional de Saúde. Optou-se pelo obsoleto e caro sistema de tarja magnética, já em desuso, beneficiando a americana Hypercom Corporation, que controla a tecnologia e cuja representação no Brasil seria ligada à família do ex-senador José Richa, cardeal tucano do Paraná.
Suspeição é geral
Quase um ano depois, e após o adiamento provocado por denúncias desta coluna, afunilou a concorrência para a implantação do Cartão Nacional de Saúde. Neste sábado, a comissão de licitação publica ato desclassificando cinco das nove empresas restantes. Entre as finalistas ficaram a Hypercon Corporation, claro, a Seiwa, a Procomp Amazônia e a UPP, da Unisys, considerada também - digamos - amiga da casa.
A licitação é tão cheia de suspeitas que, segundo ata em poder desta coluna, foi danificado um dos quatro lacres da proposta da Hypercom.
Nitroglicerina pura
A banda podre da polícia gira e a Fetranspor roda, no Estado do Rio.
Baby Nando se revela
É devastadora a reportagem de IstoÉ Gente sobre o ócio e o fausto de Paulo Henrique Cardoso, o filho do homem. A revista registra, entre outras coisas, que Baby Nando mal trabalha, mora de graça num apartamento de luxo, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, pertencente a banqueiros, anda em jatinhos amigos e pilota uma BMW blindada.
E olhe que seus pais foram de esquerda e têm horror ao fisiologismo.
Ainda há espaço
Calma, lobistas, ainda há alguns mimos a oferecer ao primeiro-filho: ao que se sabe, ele ainda não tem ilha em Angra dos Reis, coitado, nem chalé nos alpes suíços, helicóptero só dele, coleção de relógios Patek Phillipe, apartamento em Paris ou mansão em Beverly Hills.
Corram, lobistas, é por tempo limitado.
Lessa, o ex-tudo
Metido até o pescoço nas irregularidades dos convênios do FAT com a Secretaria do Trabalho do Distrito Federal para treinar trabalhadores, o suplente de senador Geraldo Lessa (PSDB-AL) foi afastado da direção Fundação Teotônio Vilela pelo conselho administrativo da entidade, com o voto e a anuência do titular do mandato, Teotônio Vilela Filho.
Pelo andar da carruagem, quando reassumir no dia 20 de maio, Vilela deixará para Geraldo Lessa cumulativos títulos de ex-diretor, ex-senador e ex-amigo, porque o escândalo do sumiço do dinheiro do FAT dificilmente poupará a amizade entre o titular e o suplente.
A chave do tamanho
O governador do Rio precisa mudar de nome, pois o apelido só lhe traz dissabores. Um deles ocorreu em Macaé, na instalação da empresa de telefonia Vésper na cidade. O prefeito Sylvio Lopes reclamou da pouca atenção aos seus ofícios, que prejudica a população. Anthony Garotinho disse que Lopes queria se promover e não tinha postura para o cargo. Lopes respondeu na lata: E você precisa crescer. Teria sido apenas um bate-boca, mas na saída estudantes que vaiaram a comitiva foram agredidos pelos seguranças do governador. O caso parou na polícia.
Meu nome, minha sina
Sugestão da coluna para o governador do Rio: que tal em vez de Garotinho, ser Anthony Meninão?
Hormônio do crescimento
E por falar em Garotinho (ou Meninão?) o Zeca do PT (ou do PFL?) é sua perfeita versão crescida. Querendo agradar a todos, desagrada a todo mundo. Já perdeu dois assessores: o diretor do Previsul, Volney Ávila (o mesmo que denunciou o ex-ministro do Trabalho, Antônio Magri), pediu demissão, assim como o diretor do Departamento Estadual de Estradas, Luís Landes. Landes caiu fora por falta de recursos e, especialmente, por causa de uma taxa chamada Fundersul.
Ê, boi
A Fundersul foi criada a toque de caixa na Assembléia, de olho numa gigantesca caixinha de mais de R$ 30 milhões. Cada produtor rural paga R$ 3 por boi em pé transportado nas estradas do MS. Como boi não senta, o dinheirão da boiada seria usado para asfaltar a buraqueira. Só que ao contrário do boi, o dinheiro do Fundersul não anda, como também não sai do lugar quem tenta atravessar as estradas vicinais. Assim, 15% da produção já está comprometida. A secretaria de Educação tem poucos professores, a de Segurança não tem pessoal nem viaturas e a criminalidade no Estado só faz subir.
Crise de identidade
A chave do cofre do governo Zeca do PT (MS), está no Conselho de Aplicação Financeira das Receitas, o Cafins. Todas a arrecadação fica na sigla, obrigando as secretarias a um verdadeiro suadouro para conseguir um giz, gaze e algodão, pneu ou fechadura. O processo burocrático da licitação, aprovação e aquisição leva mais de 90 dias.
Mas para andar de avião de amigo, Zeca abriu mão de tais exigências. Está na hora de o governador do MS também trocar de nome.
Fora de serviço
Está causando polêmica a criação de uma CPI do Narcotráfico na Paraíba, depois da prisão da delegada que ajudava duas irmãs de Fernandinho Beira-Mar. O deputado federal do PSDB, Inaldo Leitão, quer a CPI já, mas o líder do governo, deputado Gervásio Maia (PMDB), acha que Inaldo está exagerando. A mimosa Maria Rodrigues, presa no Rio, depois de alegres viagens de turismo receptivo, já responde a processo, pois mantinha um negócio de desmanche de carros com o juiz Herval Carreira (que não se perca pelo nome). Na Polinter, depois da saída da chefe, o pessoal está querendo distância de telefone.
Data histórica
FHC decidiu romper com o FMI:
- Brasil deve, não nega, e vai pagar a dívida externa quando puder!
Calma, é só 1º de abril.
O PODER SEM PUDOR
Dois em um
Além de Petrônio Portela, que se notabilizou como o articulador da abertura política, o Piauí também fez senador outro Portela, o Lucídio. É verdade que biônico, mas senador. Ao contrário do irmão Petrônio, Lucídio era autoritário e pouco letrado, mas um dia ele ocupou a tribuna do Senado para ler um discurso em defesa do regime militar. Tanto sua peroração incensou os militares que acabou contemplando uma citação do escritor Fedor Dostoievsky. Um senador da oposição foi ao aparte:
- Interessante sua citação de Dostoievsky. A propósito, o nobre colega já leu Crime e Castigo?
- Li os dois! - fulminou o velho Lucídio, multiplicando por dois o clássico romance da literatura russa.
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