‘‘A classe média está intrigada, porque confiava muito no Luiz Eduardo’’
(Do líder do PDT, Leonel Brizola, sobre o desgaste do governador do Rio, Anthony Garotinho)
Suspeito de desviar recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o tucano Geraldo Lessa, suplente de senador e irmão do governador alagoano Ronaldo Lessa, declarou à Receita Federal rendimentos mensais de pouco mais de R$ 1 mil. Com essa mixaria, ele fez o milagre da multiplicação: mora num exclusivo edifício (um apartamento por andar) à beira-mar, em Maceió, presenteou a esposa com um automóvel Cherokee, no valor de R$ 90 mil e deu a ele mesmo uma luxuosa L-2000, caminhonete de cabine dupla da Mitsubishi, avaliada em R$ 60 mil.

Intriga internacional
Pode ser conversa para traficante dormir, mas a Polícia Nacional paraguaia afirma que jamais recebeu qualquer pedido oficial das autoridades brasileiras para prender o traficante de todos os tráficos, Fernandinho Beira-Mar. Diz também que os deputados brasileiros da CPI do Narcotráfico não dão detalhes nem pistas sobre a presença do meliante no país vizinho. A polícia paraguaia decidiu atirar, perguntando por que até agora os colegas brasileiros não acharam Fernandinho através de seu braço-direito, João Morel, que está preso no Brasil.
Para eles, é tudo cortina de fumaça: Fernandinho está aqui, protegido pela Banda Podre da polícia do Rio.

Vingança paraguaia
O governador do Rio está fazendo carreira no exterior: agora é o presidente do Paraguai, Luis González Macchi, quem exige nomes e provas de que seu país protege Fernandinho Beira-Mar. A chancelaria paraguaia está esperando a resposta do governador. E o ministro do Interior, Walter Bower, aproveita para intrigar os deputados da CPI do Narcotráfico, dizendo que eles envolveram o nome de Macchi porque não foram recebidos pelo presidente. Foi grande a trapalhada na ocasião, já que a CPI quis passar por cima da Embaixada do Brasil.

Entre amigos
O portal gratuito Ig divulgou pesquisa sobre a popularidade dos governadores. O levantamento é para lá de generoso com Jarbas Vasconcelos (PE), que teria 89% de aprovação dos pernambucanos, e Tasso Jereissatti (CE), com 88%. A pesquisa é obra de um certo Ipespe, do marqueteiro Antônio Lavareda, de cuja carteira de clientes os governos de Vasconcelos e Jereissatti ocupam generosíssimo lugar.

Homo mortem
Depois de descobrir que não descendemos do homem de Neanderthal, bem que a revista inglesa ‘‘Nature’’ poderia mandar uma missão científica ao Acre, para estudar o DNA do Neanderpascoal.

Caminho das pedras
Se os vereadores paulistanos examinarem os gastos do governo Celso Pitta com eventos, assessoria de imprensa e agências de publicidade, dignas do sultanato de Brunei, aí sim, ninguém segura o impeachment.

Viva o gordo
No Acre, governo e oposição sentem o peso de uma candidatura independente. O jornalista Roberto Vaz, que apresenta pela TV Record o noticiário local de maior audiência, surpreende como forte candidato à prefeitura da capital Rio Branco.
Com 100 quilos, muita simpatia e credibilidade, Vaz pode ser uma das surpresas que as urnas das capitais brasileiras preparam para outubro.

Trunfo de defesa
A titular da Delegacia de Menores de Brasília, Deborah Menezes, afastada sob a suspeita de torrar uma doação de R$ 40 mil em operações plásticas e numa temporada em spa, alega inocência e exibe um trunfo: uma carta do empresário João Carlos Di Gênio, aquele do Objetivo, negando que tenha feito essa doação, que seria destinada à confecção de uma cartilha de orientação às mulheres vítimas de violência. Deborah é namorada de Rubens Gallerani, assessor de ACM, e está sendo investigada pela Corregedoria Geral de Polícia Civil do DF.

Mudanças no mercado
A sucursal de ‘‘Veja’’ em Brasília sofreu mais uma perda importante.
Depois de Leonel Rocha ir para ‘‘Istoɒ’ e Policarpo Jr. para o ‘‘Correio Braziliense’’, a maior revista semanal brasileira perdeu o veterano repórter Expedito Filho, há doze anos na casa. Ele agora vai chefiar a sucursal de ‘‘IstoÉ Dinheiro’’ na capital.

Anão II, a missão
Mais um anão do Orçamento prepara seu retorno triunfal à vida pública.
Trata-se do ex-deputado Carlos Benevides, que é candidato a prefeito de Itaitinga (CE). Sua campanha recebe a orientação do irmão, Mauro Benevides Filho, presidente regional do PPS no Ceará.

Tambores de guerra
Semana que vem vai sair fumaça no gabinete do governador da Bahia, César Borges. O comitê organizador da Conferência que reunirá em Porto Seguro mais de cinco mil índios, vai exigir garantias do acesso deles às comemorações dos 500 anos, dia 22 de abril. ACM e FHC, entre outros, estarão presentes na festa em Coroa Vermelha, no sul da Bahia. Como há muito tempo índio deixou de querer só apito e FHC anda morrendo de medo de vaia, é grande a movimentação para barrar os primeiros habitantes do pedaço. Talvez chamem figurantes da Globo.

Amiga do rei
A diretora de teatro Bia Lessa, da BD Produções Artísticas e Culturais Ltda, do Rio, é a responsável pelo ‘‘projeto arquitetônico’’ do Pavilhão do Brasil na Expo 2000, que começa dia 1º de junho em Hannover, na Alemanha. Entrou na grande bocada auferida pelo primeiro-filho, Paulo Henrique Cardoso, que levou R$ 14 milhões dos cofres públicos para tal empreendimento. A prestigiada diretora definiu certa vez a satisfação de trabalhar em teatro: ‘‘O bom das artes cênicas é que você pode fazer sempre. Pode não ter dinheiro, não ter formação, não ter teatro, mas se tem algo a fazer, faz.’’ Bia está fazendo.

O PODER SEM PUDOR
Valentia napoleônica
O líder do PFL no Senado, Hugo Napoleão (PI), deu uma de valente, nesta quinta. Aproveitou a momentânea ausência do senador Roberto Requião (PMDB-PR) no plenário, para atacar o principal opositor do governador Jaime Lerner no Paraná:
– Ele é um farsante, mentiroso e um covarde!
O novo porta-voz de Lerner garantiu que o peemedebista será processado por acusar o governador de envolvimento com o narcotráfico, mas ficou pálido quando viu o alvo dos seus ataques adentrar o plenário.
– Pensou que eu não voltaria mais? – perguntou Requião, irônico.
Além de reforçar as acusações, Requião denunciou que o governador usou aviões do narcotraficante Hassan Hussen durante sua campanha.
De quebra, ainda chamou Lerner – e seus porta-vozes – de ‘‘frouxos’’.


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