Cláudio Humberto (De Brasília)
Só não sei ainda quem está pagando, mas vou saber em breve
(De ACM, acusando os adversários de divulgarem as sandices de Nicéa Camargo contra ele)
Um senador em apuros
O suplente de senador Geraldo Lessa (PSDB-AL), está encalacrado no escândalo de desvio de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador. Ele é irmão do governador Ronaldo Lessa e era diretor-executivo da Fundação Teotônio Vilela, até estourar o escândalo que o afastou. O ministério público investiga o desvio de dinheiro e os sinais exteriores de riqueza de Lessa, incompatíveis com os rendimentos declarados em 99, só R$ 14 mil. Ele contratou a caríssima Companhia de Notícias, que dá assessoria de imprensa à Agência Nacional do Petróleo, e Luiz de Gonzaga Mendes de Barros, requisitado advogado alagoano.
Em nome do pai
O senador tucano Teotônio Vilela Filho (AL), dono da cadeira hoje ocupada pelo suplente Geraldo Lessa, está inconformado com os ex-diretores da Fundação Teotônio Vilela, que misturaram o legado do Menestrel das Alagoas com pesadas maracutaias. Teotônio diz que até perdoaria uma traição contra ele, mas nunca à memória do pai. E para passar o caso a limpo, esteve nesta quarta com o procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, solicitando rigorosa investigação.
Brinquedo reposto
FHC era um feliz e raro usuário de telefone via satélite. A Iridium International colocou dois aparelhos à disposição do presidente, que utilizou a geringonça à vontade. Exibiu-se com eles no exterior e numa viagem à restinga de Marambaia, por exemplo. Mas o que era doce acabou: no dia 16 passado, a Iridium avisou a interrupção do serviço por um motivo simples: quebrou. Mais: explodiu. Literalmente. Seus satélites seriam destruídos por controle remoto no dia seguinte, 17. FHC não se abalou e já ganhou um brinquedo igualzinho, do sistema Imarsat.
Solidariedade cristã
Dom Paulo Evaristo, o ex-cardeal Arns, soube ser grato ao amigo FHC.
Ainda no primeiro governo, e por sugestão do ministro Sérgio Motta, FHC devolveu à Arquidiocese de São Paulo a Rádio 9 de Julho, fechada pelo regime militar. Esse gesto, uma homenagem ao papel de dom Paulo na resistência democrática, foi a única concessão de uma emissora no atual governo. Há dias, inconformado com a agressividade do jornal Brasil Hoje, da Rede Católica de Rádio, Arns recomendou e foi atendido o cancelamento da sua retransmissão na Rádio 9 de Julho.
Cassado vai à forra
Cassado sob a acusação de mandar matar o jornalista Donizete Adauto, seu ex-companheiro de PSS, o ex-deputado estadual Djalma Filho piauiense arrumou as malas e seguiu para Brasília. Seu objetivo é falar mal de todos aqueles a quem credita a sua cassação. No topo da lista, o superintendente da Polícia Federal no Piauí, Robert Rios, a polícia civil local e o grupo Meio Norte, do empresário Paulo Guimarães.
Briga de vizinho
O governador do Rio, Anthony Garotinho, arrumou encrenca com o Mercosul. O embaixador do Paraguai no Brasil, Carlos Alberto González, não engoliu a afirmação do governador de que Fernandinho Beira-Mar se esconde em seu país sob proteção de policiais locais. González quer documentos na mão, para que, segundo ele, a polícia paraguaia prenda o meliante. O Paraguai, por sua vez, está enrolado com o Departamento de Estado americano, que se cansou da brincadeira de pique-esconde do governo de González Macchi com os chefões do tráfico.
Marmitex suspeita
Disseram as más línguas, já devidamente cortadas, que nas marmitas oferecidas pelo ex-deputado Hildebrando Do Caixão Pascoal em troca de votos, o purê branco era de coca transgênica. Os eleitores, que devoraram as quentinhas, estão passados.
Caixinha, obrigado
A nível de corrupção, até que os deputados do Piauí são modestos. Por R$ 20 mil o vereador Valdinar Pereira teria trocado o PPB pelo PSDB. Agora o PT de Teresina quer saber quem pagou, e se o PSDB local está com essa bola toda no cofre para angariar novos vereadores, de olho nas eleições para a Prefeitura. A verdadeira merreca, diante da gigantesca corrupção nacional, deve ter relação direta com o salário mínimo. Como disse dona Ruth Cardoso, é muito pouco.
Esqueçam o que eu acho
FHC é mesmo um homem de opinião e convicções inabaláveis. Em dezembro do ano passado, barrou a indicação de Teresa Grossi para a direção de Fiscalização do Banco Central. O presidente colocou na gaveta a mensagem indicando o nome da senhora de todos os bancos, após a péssima repercussão do depoimento dela na CPI do Senado. Grossi, segundo a CPI, deu um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão ao Erário, ou seja, aos nossos bolsos. FHC mudou de idéia, pressionou e conseguiu emplacar a raposa no galinheiro. Que segredos tem Teresa?
Esqueçam que eu existo
FHC é mesmo um homem de opinião e coragem. Sua viagem para a Costa Rica, marcada para 4 de abril, foi subitamente antecipada para o dia 2, às 14h, só para ele não comparecer à posse do novo presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Costa Leite, considerado o novo líder da magistratura brasileira. FHC tremeu quando soube que lhe esperam cerca de 4 mil juízes na solenidade. Vaia de juiz é fogo. Apesar de suas diferenças com a Justiça, ACM será bem tratado, até em homenagem à sua coragem de confirmar presença.
Insaciável mecenas
Depois dos escândalos de Norma Bengell e Guilherme Fontes, em importantes gabinetes de Brasília existe a quase certeza de que o próximo estouro na área cultural pode envolver o banqueiro e mecenas Edemar Cid Ferreira. O dono do Banco Santos já abiscoitou mais de R$ 7 milhões para a sua Ong Associação Brasil 500 Anos e quer mais, muito mais. E ainda mete o malho no presidente, sob o testemunho de ministros, acusando (elogiando) FHC de fechar os cofres da Viúva.
Caça aos hackers
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pediu urgência urgentíssima na apreciação do seu projeto que define crimes praticados na Internet. Ele ainda não sofreu nenhum ataque de hackers, mas ficou preocupado com o fato de a legislação brasileira não tipificar esse tipo de crime. Considerado o rei da datilografia nos tempos de movimento estudantil, Calheiros continua apanhando para aprender a lidar com o computador.
O PODER SEM PUDOR
Perigo no ar
Como qualquer político que se preza, Milton Campos também abandonava Brasília às quintas-feiras.
Num desses momentos, o vôo para Belo Horizonte seguia tranquilo até que o avião começou a ser sacudido por violenta turbulência.
Nervoso, logo ele pediu à comissária uma dose dupla de uísque. Foi inútil. Pálido, quase roxo, com olhos arregalados e mãos cravadas nos braços das poltronas, ele estava a um passo de um ataque cardíaco.
O sr. está com falta de ar? quis saber a preocupada comissária.
Não, minha filha, estou com falta de terra! exclamou o velho político.
Cláudio Humberto Rosa e Silva
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